Henrique ainda não assistiu.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Blancanieves: Indicação
Parece que a
Katy Perry cansou de cantar e decidiu virar atriz. É impressionante a
semelhança entre ela e a protagonista Macarena García. Fiquei curiosíssimo para
assistir simplesmente pela estética e, realmente, o diretor Pablo Berger compôs uma grande experiência gráfica, já
que a única novidade do roteiro é essa mistura do conto com elementos culturais da Espanha. É um filme mudo em preto e branco, portanto, em duas coisas já podemos
confiar, a iluminação e a trilha sonora.
Inicialmente,
o contexto das touradas me incomodou um pouco, mas o filme trabalha isso de uma
forma bastante leve. É tudo deslumbrante, os figurinos, os cenários, as
atuações levemente exageradas por conta da linguagem não verbal que impera. Grande
destaque à atriz Maribel Verdú, que interpreta a madrasta e nós já conhecemos de Y Tu Mamá También – amamos vilãs.
Achei o filme
válido e quase obrigatório. Angela Molina, que trabalha muito com o Almodóvar,
está no filme e dá aquela sensação de segurança que só um rostinho conhecido
nos passa, apesar de todos os atores serem muito carismáticos. Grande surpresa,
não estava esperando muito, pra você que já gosta dessas adaptações de contos
de fadas será um deleite.
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- Henrique ainda não assistiu.
A Visitante Francesa: Resposta
Cara, na sua indicação você criticou tudo o que eu mais gosto no Sang-soo Hong, tudo que me fez adorar o HAHAHA e, por consequência, o A Visitante Francesa. Adoro o ritmo dos filmes dele, essa câmera bem posicionada, o zoom in/zoom out que ele usa o tempo todo, que parece aleatório mas na realidade é muito preciso. Acho uma peculiaridade bem divertida e que combina com o humor bizarro dos filmes dele.
Mas é inegável que o talento dele se mostra mais presente no roteiro. Acho incrível o jeito que ele escreve os diálogos, sempre tão naturais mas ao mesmo tempo bem exagerados. Ele trabalha bem na construção do enredo, o que deixa o filme cheio de detalhes que enriquecem a história. Adorei os elementos de repetição entre os 3 contos: o farol, o guarda-chuva, a menina que tá sempre indo fazer compras e por aí vai.
Até o idioma contribui pro filme. Além do inglês ser a língua oficial dos turistas, ele dá essa marcação dos problemas de comunicação e do deslocamento dela nos momentos em que eles falam em coreano, e acaba acrescentando também pra esse tom de afetação, que também combina com o humor do Hong.
A única coisa que eu acho que foi um erro no filme - e eu nunca achei que fosse dizer isso na minha vida - foi a escolha da Huppert pro papel. E calma, deixa eu explicar! Amo ela, atriz incrível, e segura o papel aqui. Mas não sei, ela é muito francesa pra esse filme. Ela tem esse ar blasé que faz a gente amar ela num Professora de Piano, num Huckabees, fazendo crazy bitch e personagem que a gente não precisa gostar. A proposta do A Visitante Francesa pedia mais carisma.
Mas enfim, no fim das contas eu adorei. Filme leve, gostosinho de assistir, curto e dinâmico. Provando que comédia romântica não precisa ser boba pra ser divertida.
A Visitante Francesa: Indicação
Esse aqui vai
estrear no Brasil só daqui a cinquenta e três meses, mas estava entupindo a
memória do meu computador então decidi assistir logo por motivos: IsabelleHupert. Sempre fico curioso com filmes coreanos, eles quase nunca erram. Dessa
vez, o diretor Sang-Soo Hong, que você já conhece daquele Hahaha, que por acaso
eu não assisti, errou. Falta alguma coisa que eu não sei o que é! O filme
mostra uma garota que escreve um roteiro. Esse roteiro é uma grande brincadeira
que, a partir da premissa fixa de uma turista francesa na Coreia do Sul, vai
formando três histórias com os mesmos atores interpretando personagens
diferentes no mesmo tempo e espaço, como realidades paralelas sem todos os
fatores científicos que as classificariam assim.
Não duvido que
esse seja um belo exercício de roteiro, muito pelo contrário, achei o formato
muito interessante. Porém falta viço nesse filme. As três histórias formadas em
torno da turista francesa são muito desinteressantes. Falta carisma aos atores
e aos personagens formados, salvo Jung-Sang Yu, que interprta um guarda-vidas simpaticíssimo. A Hupert está mais apagada que os postes da minha rua. Todos se comunicam em inglês com ela, sendo que essa não é a língua
nativa nem dela nem deles... Tudo muito desconfortável. Sem falar nos
movimentos de câmera, que se aproxima bruscamente das personagens sem nenhum
motivo aparente além do enquadramento.
Você disse que
gostou do outro filme dele, então aconselho que assista pra matar a
curiosidade, mas se não existe essa curiosidade, recomendo que apenas ignore.
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- Henrique ainda não assistiu.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Vivendo: Resposta
Véi, na boa! O que acontece com esses países do Leste Europeu que só sabem fazer filmes depressivos e pessimistas? :'(
Fazia tempo que eu não via um filme tão devastador como esse. Ainda mais porque vi sem saber do que se tratava, então me surpreendi com os acontecimentos. A primeira metade do filme é muito bem trabalhada, criando aquela atmosfera de desgraça iminente. A gente não sabe muito bem o que tá acontecendo, o que liga aquelas pessoas, mas tá bem claro que não é coisa boa. No começo achei que era um cinema Inãrritu, que em algum momento os destinos daquelas pessoas iam se cruzar numa tragédia.
Pra mim o principal mérito do filme foi a abordagem do tema, que já é mais que batido, mas que aqui ganha um certo frescor. Como o Artur disse, ele não trata muito da superação, mas da dor, do sofrimento, da angústia de quem fica. E os toques de realismo fantástico funcionam muito bem também e fazem uma bonita metáfora, dando ao mesmo tempo um desconforto e uma certa beleza pra narrativa. O que eu achei interessante também é que no caso das duas mulheres a morte do ente querido acontece em um momento de extrema felicidade, em que a vida oferecia muitas possibilidades, que um futuro promissor surgia no horizonte. Eu me conectei muito com a história do casal, que foi a que mais me abalou. A Yana Troyanova é realmente excelente e conseguiu me fazer chorar o filme inteiro. Aquela cena em que ela vai questionar o padre me deixou todo arrepiado, e olha que ela atua praticamente de costas ali, né. E aquele ambiente inóspito e frio, com aquela neblina onipresente realça ainda mais esse sentimento de solidão e abandono.
Visualmente um filme belíssimo, personagens muito bem escritos e um diretor pra guardar o nome, porque vai brilhar muito ainda. Mas uma luz dentro de mim morreu depois desse filme. Entrou pro clube do Dançando no Escuro de "filmes que eu adorei mas nunca mais quero ver de novo".
Vivendo: Indicação
Mais um da
lista de melhores de 2012. Relutei em assistir esse filme russo do Vasili Sigarev porque olhei o cartaz, não reconheci o alfabeto e nem consegui soletrar
o nome dos atores, meio que desanimei, mas depois de tanto comentário em cima
dele, tive que ceder. O filme tem como
tema a superação da perda, mostrando a forma como três pessoas lidam com ela: um
filho, uma mãe e uma esposa. Diferente de alguns filmecos com a mesma temática,
que gostam de mostrar a ressurreição de quem sofre o luto, esse é duro. Mostra apenas
a parte triste e dolorosa do processo e te abandona com apenas alguns fiapos de
esperança.
Por muitas
vezes a câmera assume o ponto de vista das personagens, te convidando a se
colocar no lugar delas, a sofrer junto com elas, como na cena em que a mãe
catatônica percorre os rostos das pessoas que estavam no velório, com os olhos
embaçados de chorar. Já era madrugada quando assisti e estava muito tarde pra
eu me emocionar, mas mesmo um pouco indisposto é inegável o peso dramático de
todas as histórias. Só achei que houve uma discrepância entre o tempo reservado
para desenvolver a trama das mulheres em comparação com o tempo reservado para
desenvolver a do garoto que perdeu o pai.
A atriz Olga Lapshina, que faz a mãe, é uma atriz excelente. Construiu um personagem bem
complexo que transcendeu as informações que o roteiro dá. Yana Troyanova é
linda, me lembrou por muitas vezes a Kirsten Dunst e conseguiu segurar aqueles
dreads loiros sem se parecer com os gêmeos estranhos do Matrix. Assiste esse
logo, já tá ficando feio pra ti.
Henrique ainda
não assistiu.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Tabu: Indicação
Dia desses
estava pensando que sou um completo ignorante em cinema português, não assisti
quase nada. Nessa mesma época estavam saindo as listas de melhores filmes de
2012 e entre eles apareceu Tabu, filme do diretor português Miguel Gomes. Ele
conta a história de Aurora, que é interpretada por duas atrizes, Laura Soveral e Ana Moreira, já que a narração é dividida em duas partes. Na primeira mostra
a vida de uma Aurora idosa, convivendo com sua amiga Pilar, interpretada por
Teresa Madruga, e sua empregada negra, que serve como um saco de pancada para
todas as suas frustrações cotidianas e passadas. Na segunda parte, a juventude
de Aurora na África é contada por um velho amigo, através de uma narração em
off, com um flashback quase mudo, pois só omitia a voz dos atores, permanecendo
o som ambiente.
É um belo
filme, honestamente não gostei muito das atuações, não sei se essa é uma fraqueza
do cinema português, porque como já disse não conheço muito. Tem muita
experimentação com a câmera e o filme é todo em preto e branco – ainda não
cheguei ao capítulo sobre cor do livro do Marcel Martin, não sei qual é a
proposta. Prometo que vou conhecer mais sobre o cinema lusitano, a temática
desse filme, por exemplo, é ótima. Conta um pouco da relação entre Portugal-África.
Os portugueses têm um ponto de vista bem interessante sobre diversos temas.
Precisamos de mais filmes e roteiros vindos de lá.
Só uma dica: use
legenda mesmo sendo português. Eu não encontrei legenda e tive que assistir com
fones de ouvido pra tentar prestar o máximo de atenção. O sotaque atrapalha
demais a compreensão, não é tão simples como parece. É como criar uma língua
com palavras que você conhece de italiano, francês e espanhol. Você vai
entender, mas vai ter que se esforçar bastante.
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- Henrique ainda não assistiu.
4 meses, 3 semanas e 2 dias: Indicação
Ok, acho que estamos
acompanhando um dos melhores roteiristas dos últimos anos. Assim que assisti
Além das Montanhas, que nem é considerado um dos melhores filmes do Cristian Mungiu,
senti que precisava conhecer a filmografia toda do cara e aí vamos nós. A temática
principal do filme não é o aborto, como muitas sinopses contam. O aborto é
apenas a premissa para falar de exploração da mulher. Os filmes que assisti do
Mungiu são todos muito focados na mulher, com protagonistas e dramas femininos,
e esse não é diferente.
Mais uma vez o
roteiro genial dele vai revelando a trama e a relação entre as personagens apenas com
os diálogos. Fica sempre aquela coisa 'Elas são irmãs?', 'Onde elas vivem?', 'O que aconteceu com ela antes?'. Você só consegue uma perspectiva completa da história lá pelos
cinquenta minutos de filme. Aliás, Mungiu é um mago do tempo. Faz 102 minutos
parecerem meia hora.
Não é por
menos que ele ganhou a Palma de Ouro por esse filme. Proposta polêmica, roteiro
perfeito, os movimentos de câmera estão sempre sincronizados com as emoções e
sentimentos das personagens e atores que dão o tom certo, sem muito exagero
dramático. Destaque pra protagonista Anamaria Marinca que é decidida, ingênua, revoltada,
criança e adulta em menos de duas horas sem parecer forçado. Os romenos
entraram definitivamente pro meu mapa de referências.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Além das Montanhas: Resposta
Se havia algum
boato sobre a inimizade entre os Dardenne e o Mungiu por causa dos dois
ganharem a Palma de Ouro por filmes da mesma ‘família temática’, – A criança e
4 meses, 3 semanas e 2 dias – acabou aqui com essa parceria técnica deles.
(parágrafo escrito
apenas para falar dos Dardenne).
Confesso
que inicialmente achei o filme bem lento! O que me prendeu foi esse jogo de
tentar descobrir a relação entre as personagens e a história de cada uma delas
só pelos diálogos que aconteciam. Estava indisposto, achando o filme escuro,
sem luz, não enxergava nada, queria dormir... Até que comecei a tentar entender
aquilo tudo.
Tentei
entender aquele negro sempre presente, tanto no figurino quanto na fotografia. Percebi
que tudo era mistério e muito do que aconteceu eu não vi, apenas ouvi as
personagens comentando e sugerindo os fatos. Quando a pouca luz não velava os
fatos, as roupas negras das freiras faziam o serviço. É um filme impecável. Nada
está ali de graça. A maior qualidade técnica é o roteiro mesmo, que consegue te
contextualizar dentro de toda aquela problemática religiosa/sexual/social/humana
sem expor demais e sem ofender sua inteligência.
O que mais me
encantou foram as simbologias. Esse preto constante do medo, da ignorância, do
desconhecido. Aquela cena da neve, vista pelo vidro do carro que de repente é
tomado por lama e mancha a sua visão branca da neve sem realmente manchar a
neve... Merecia minha visita ao cinema, pena que não acreditava no filme antes.
Além das Montanhas: Indicação
Cara, depois desse filme coloquei a Romênia na lista de países com o cinema contemporâneo mais interessante. É inegável que tem uma new wave rolando por lá que tá gerando obras excelentes, com muito a dizer sobre os mais variados temas. E o Mungiu é provavelmente o diretor romeno dessa safra mais conhecido pelo mundo, por causa do cultuado "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", que debate o aborto, e eu ainda não vi mas preciso assistir o quanto antes!
Em Além das Montanhas o assunto é religião (que disputa com o holocausto o cargo de assunto que mais gera roteiros no mundo). O filme mostra o cotidiano de um convento numa zona rural com a chegada de de uma estranha, amiga de uma das freiras do convento.
Apesar da longa duração, da câmera quase sem movimento e da edição com poucos cortes, o filme passa voando, graças ao roteiro muito bem montado. É desses filmes que começa pelo meio da história, sem revelar pra gente o que levou aqueles personagens até aquele ponto, então cabe ao espectador pescar pistas nos diálogos pra entender o que tá rolando ali. E olha, que diálogos, viu? As palavras fluem com uma naturalidade absurda, mérito do excepcional elenco, predominantemente feminino, o tempo todo brincando com o revelar e o esconder.
E é esse jogo de ambivalência que impulsiona o filme. É difícil julgar atitudes, definir o certo e errado, a coisa humana a se fazer. O filme levanta uma análise moral similar a proposta em "A Separação". Eu não cheguei a nenhuma conclusão ainda... só sei que amor extremo, à uma pessoa ou à um Deus é algo muito perigoso e vovó tava certa quando dizia que é com boas intenções que a gente pavimenta a estradinha pro Inferno.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
O Artur e o Henrique já estão no Dolby Theatre em Los
Angeles para a cerimônia do Oscar que acontece hoje à noite!
Venha acompanhar nosso liveblogging com participação especial da Rafa, que não é do blog mas chama público.
Acompanhe conosco o red carpet e a cerimônia ao vivo a partir das 21hrs.
Venha acompanhar nosso liveblogging com participação especial da Rafa, que não é do blog mas chama público.
Acompanhe conosco o red carpet e a cerimônia ao vivo a partir das 21hrs.
Apostas do Oscar 2013: Henrique
O Oscar é tipo o BBB do mundo dos cinéfilos. Ninguém gosta, ninguém respeita, mas sempre acaba surgindo na mesa de bar e todo mundo debate até não poder mais. Apontamos as injustiças, rimos dos absurdos e fazemos vários bolões pra ver quem é o mais pai de santo do seu ciclo social. E eu, que adoro fazer listas e ganhar apostas, acho essa a parte mais divertida do período de premiações. Então pra você que ainda não se inscreveu no bolão da firma, pega a caneta e anota a lista do sucesso! rs
Filme: Argo
Ganhou no sindicato dos produtores, ganhou no Oscar, óbvio assim.
Diretor: Michael Haneke
Geralmente o filme que ganha em melhor filme leva o de melhor diretor pra casa. MAAAAAAAAAS a Academia que tá mais esquizofrênica do que nunca deixou o Ben Affleck de fora. Sendo assim, aposto no Haneke, que vai ganhar em filme estrangeiro.
Ator: Joaquin Phoenix
Esse é o meu palpite mais arriscado. É mais provável que eu erre e a estatueta aqui seja do Daniel Day-Lewis, mas acho que os votantes podem se dividir entre ele e o Hugh Jackman, levando o Phoenix, correndo por fora, a ganhar o prêmio. E todo o ano tem que dar uma zebra no Oscar!
Atriz: Emanuelle Riva
Além de merecidíssmo, se não ganhar agora não leva mais, né gente. Então vamos dar esse presente pra essa linda que conseguiu aturar o Haneke!
Ator Coadjuvante: Tommy Lee Jones
A categoria mais imprevisível. Todos já ganharam, todos merecem, todos tem chance. Mas faz tempo que o Tommy não entrega uma atuação louvável, então acho que ele acabou surpreendendo mais o pessoal e isso vai pesar nos votos.
Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway
Emagreceu pro papel de prostituta pobre, chorou enquanto cantava e raspou o cabelo. Só faltou usar prótese no nariz pra dar tudo que a Academia quer.
Filme Estrangeiro: Amour
Dos indicados é o único que também foi lembrado em roteiro e direção.
Roteiro Original: Amour
Num mundo perfeito, Moonrise Kingdom levaria, porque é literalmente o mais original da lista. Mas acho que a Academia tá com planos de consagrar o Haneke esse ano.
Roteiro Adaptado: Chris Terrio (Argo)
Pra compensar a ausência do Affleck.
Fotografia: Anna Karenina
Pela ousadia cenográfica.
Edição: A Vida de Pi
É o que mantém cenas de um menino num barco com um tigre interessantes.
Efeitos Visuais: Vida de Pi
Vocês viram aquele tigre???
Figurino: Anna Karenina
Categoria que vai pra boas representações de época ou pra figurinos artísticos. Anna Karenina cuidou de fazer os dois.
Design de Produção: Anna Karenina
Colocaram uma corrida de cavalos dentro de um teatro. Desculpa, mas não dá pra competir com isso.
Maquiagem e Cabelo: O Hobbit
Já que boicotaram Cloud Atlas...
Bom gente, é isso aí! Tô votando tudo por análise fria, não vi nem metade dos indicados. Mas acho que esse ano vamos ter um Oscar sem grandes surpresas, só a consagração dos que já tão papando tudo nas outras premiações da temporada.
Apostas do Oscar 2013: Artur
Antes de começar, quero deixar bem claro que o fato de eu apostar em um indicado não significa que eu concorde que ele seja o melhor ou que mereça estar indicado. Todos sabemos que os critérios do Oscar nem sempre elegem quem realmente merece. Se você não se lembra ou pouco se importou com que está indicado, neste link está a lista de indicados publicada pelo G1. Joguemos os búzios!
Filme: Lincoln
- Tem tudo que os velhinhos gostam. Make forçada, peruca
escrota e patriotismo.
Diretor: Michael Haneke
- Esse ano o Oscar vai compensar a injustiça sofrida por Fita Branca em 2010.
Ator: Daniel Day-Lewis
- Apesar de AMAR esse ator, sei que ele só vai ganhar pelo ufanismo
america, pela make e por imitar direitinho o Lincoln, mas quem merecia mesmo
era o Joaquin Phoenix.
Atriz: Emanuelle Riva
- Realmente é a melhor atuação. Acho que vai ganhar porque está velhinha e
chegou a hora.
Ator Coadjuvante: Christoph Waltz
- Tarantino aprendeu a dirigir o rapaz.
Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway
- Preciso falar nada, né?... Está louca querendo ganhar essa porcaria --'
Filme Estrangeiro: Amour
- Mais uma vez o esquema da compensação.
Roteiro Original: Quentin Tarantino (Django Livre)
- Dentre os indicados... É o que tem, mas é um roteiro realmente bom.
Roteiro Adaptado: Chris Terrio (Argo)
- É um bom filme, gente. Não julguem, assistam.
Fotografia: A vida de Pi
- É o que o filme tem de melhor.
Edição: Lincoln
- Spielberg sempre arremata uns prêmios técnicos. Se eu tivesse editado o
filme, duraria 20 minutos.
Efeitos Visuais: Vida de Pi
- É o que o filme tem.
Figurino: Anna Karenina
- Belos sapatos.
Design de Produção: Os Miseráveis
- Tem que ganhar alguma coisa.
Maquiagem e Cabelo: O Hobbit
- Sacanagem não indicarem Lincoln ~ risadas
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Perder a Razão: Indicação
Para o que
você está fazendo agora e vai assistir a esse filme. Sério! Não vou revelar muito
pra não dar spoiler, mas ele mostra basicamente um drama sobre maternidade.
Mostra as problemáticas do casamento e das dificuldades que a mulher tem em conciliar
casa, trabalho, filhos, marido... Pode parecer uma história batida, mas
acredita em mim, ele veio preencher uma lacuna temática que os dramas não tocam
muito e o roteiro - que é impecável - mostra um ponto de vista único.
Também assisti esse com a minha mãe e precisamos abrir uma coluna semanal pra ela no blog.
Durante o filme ela se sentiu incomodada e apontou a principal qualidade
técnica do filme: os enquadramentos. Ela disse que estava incomodada, disse que
parecia que os personagens estavam sendo observados o tempo todo por algum estranho. Então
contei pra ela que quem estava espiando os personagens e invadindo a intimidade
deles era ela mesma e a surpresa e encantamento dela foram tamanhos que a fez
se interessar mais pelo filme. A câmera sempre parece estar atrás de paredes,
espiando pelos cantos, atrás das portas, por cima dos ombros, escondida em
cortinas...
Esse filme deveria ser reproduzidos nos cursos de pré casamento. O drama
feminino é muito forte, me fez sentir mais aversão ainda a esse modelo familiar
que impõe à mulher milhões de responsabilidades e ao homem apenas o suporte
econômico ou nem isso. Estou encantado com a Emille Dequenne, que apesar de ser
deslumbrante, cede à personagem o direito de definhar com seus próprios dramas.
O diretor, Joachim Lafosse, é muito delicado, muito sutil e a medida que o
filme avança, vai apagando de pouco em pouco o olhar brilhante da protagonista
e entristecendo o nosso.
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- Henrique ainda não assistiu.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
The Imposter: Resposta
Antes eu
queria ser arquiteto urbanista, agora quero se o Frédéric Bourdin. Por vários motivos:
mente bem, ótimo ator, é francês, fala francês, tem cidadania francesa. Durante
o filme ele me enganou, aliás. Esses relatos e entrevistas me fizeram acreditar
nele, desacreditar, amar, odiar, rir... Cara, filme completo!
Mostrar o lado
da família e o dele confunde demais, porque muita coisa se contradiz entre eles
e. Mesmo sabendo que o cara um impostor, ele é muito convincente, passa
credibilidade e tudo que ele diz faz muito sentido. Eu reconheço de longe os
passos de cada um que mora na minha casa. Tudo bem que todos estavam abalados e
traumatizados com o desaparecimento do menino, mas enganar uma família inteira,
enganar a imigração, enganar a CIA e a mídia... Merece Nobel.
A gente ainda tem a ideia de que documentário
é aquele gênero que preenche a grade do Discovery com filmes sobre araras ou a
cadeia alimentar das onças. The Imposter mostra a cadeia alimentar humana e o
Frédéric não é menos do que um leão que tinge a juba pra se passar por outra
pessoa.
P.S.: Usei máscara de Frédéric Bourdin no carnaval, fiz sucesso.
The Imposter: Indicação
Como você citou "The Imposter" na sua crítica do "Tarnation", resolvi já fazer a indicação dele também.
O documentário que fez muito burburinho em Sundance conta uma das histórias mais incríveis que eu já vi: um rapaz francês é encontrado na Espanha e alega ser o filho de uma família do interior do Texas que desapareceu há 3 anos. E o mais louco de tudo: ele convenceu todo mundo!
Esse é o tipo de história que define bem a expressão "mais estranho que a ficção". A coisa que eu mais pensava durante o filme era: "mas como ainda não fizeram um filme pra tv sobre esse caso, minha gente?". Não é bom nem revelar muito sobre a história, mas vale dizer que ela vai ficando cada vez mais e mais absurda.
O diretor monta bem o cenário, mostrando os dois lados da história, narrando os acontecimentos tanto pelo lado da família quanto pelo lado do Impostor, Frédéric Bourdin. E é nele que o filme apresenta o seu melhor. Ouvir o próprio contando suas motivações, como e porquê ele monta cada farsa, enquanto ele mesmo encena as dramatizações de alguns trechos é simplesmente fascinante. Chegou o ponto em que eu nem conseguia mais julgar se o que ele fez foi certo ou errado, só sabia que eu admirava muito aquele rapaz!
Uma boa pedida pra quem ainda acha chato assistir documentário, o filme é bem ágil e prende muito a atenção. 1 hora e 40 que passa voando e quando termina te deixa com o queixo no chão e incapaz de reproduzir o inevitável: "uau, cara!"
Filme louco demais.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Amor: Resposta
Querido
Henrique. Você elencou mil qualidades na sua crítica como se fossem mil
defeitos e ainda por cima diagnosticou todo o plano do Michael Haneke de forma errada e
superficial. Posso estar sendo MUITO ingênuo, mas creio que todo o
sentimentalismo do filme e essa ‘impressão’ que a gente tem de que ele é
acessível funciona como um lobo em pele de cordeiro ou um cavalo de Troia, como
preferir.
É incrível
como a Emmanuelle Riva parece com a avó de todo mundo né? Também é incrível como
quase todo mundo chorou com o filme... Calma lá! Acho que estou chegando a
algum ponto com isso.
Eu interpretei
esse filme digerível e apetitoso– fotografia linda, roteiro emocionante, atores
consagrados – mais como um plano sádico de chegar a milhões de espectadores do
que um plano para prêmios. Ora, quanto
mais gente se identificar, se comover e indicar o filme, mais gente eu vou
torturar com esse amor frágil que os protagonistas mostram e que no fim de tudo
é o próprio futuro do espectador, se é que ele terá a sorte de encontrar alguém
que passe pelo menos por um resfriado do lado dele.
P.S.: O formato do blog não te permite uma tréplica. A
última palavra é minha. :D
Amor: Indicação
Cara, O Michael Haneke é provavelmente o diretor contemporâneo que mais me abala, porque não consigo decidir se gosto ou não dele. Independente disso, o fato é que sempre tenho reações interessantes vendo os filmes dele. Mas "Amour" foi o menos impactante dos que eu já vi.
Achei tudo muito orquestrado, e aqui isso não é um elogio, porque ele não faz isso com a naturalidade e mão certeira que o Paul Thomas Anderson possui. É como se ele tentasse fazer um filme realista, com diálogos orgânicos, mas tudo acaba ficando muito posicionado. Cada pausa, cada virada, cada olhar. Achei forçado e falso. Mas calma lá, não estou de forma alguma criticando o trabalho dos atores! Terminei de ver o filme só pelos dois, que estão com atuações impecáveis, especialmente a Emmanuelle Riva, que tá um absurdo de tão convincente e me deixou sem ar em alguns momentos. Enfim, não tem como criticar o desempenho dos atores, mas nem o excelente trabalho deles me tirou essa sensação plástica que o filme tem.
Não sei, mas sinto que desde "A Fita Branca" o Haneke entrou numa de montar o filme já pensando em ganhar prêmios. A temática da morte, 2 atores consagrados que andavam meio sumidos, o ritmo lento e sem trilha sonora pra "valorizar o silêncio", filmar plateia no começo, começar pelo final, a metáfora do pombo. Ah, é demais pra mim!
Mas o que mais me surpreendeu nisso tudo é: eu não chorei em nenhum momento. Nem um friozinho na espinha me deu. E isso era uma certeza que ele me passava... gostando ou não, ele ia me fazer chorar. Mas acho que deu tanta raiva do Haneke enquanto eu assistia que não sobrou espaço pra emoção na hora que ele fica comovente. E sabia aquilo dele fazer bons filmes mas sempre dar uns finais chochos? Achei que aqui foi o contrário, gostei mais do final do que do resto da narrativa.
No fim das contas o filme serviu pra duas coisas: pra gente apreciar o magnífico trabalho da Riva e pra eu perceber que gosto do Haneke porque ele é um sádico cruel e é bom nisso. Percebi que isso é o que mais me cativa nos outros filmes dele, mas aqui ficou deslocado. Sim, acho que além de apelativo ele foi muito sádico na direção desse filme. Aquela cena que ele tenta dar água pra ela por exemplo é totalmente desnecessária e cruel, porque não foi inserida ali pra mostrar como é difícil a situação que os personagens estão vivendo ou algo do tipo. É só Mikezinho polemizando! Achei errado.
Ah, e pra fechar queria dizer que na indicação de "Amour" eu indico que vocês não assistam! É melhor ver o "Parada em Pleno Curso" no lugar. Temática bem parecida, mas muito mais sincero e interessante.
Indomável Sonhadora: Resposta
Pro bem ou pro
mal, prefiro não julgar esse filme pelo que ele foi indicado ou deixou de ser.
O Oscar é uma palhaçada, todo mundo sabe disso. Realmente, a indicação mais
merecida para o filme seria fotografia, porque aquilo é lindo demais.
Realmente, o trabalho de atuação de uma criança é limitado pelo simples fato
dela ser uma criança e concordo que estão usando, mesmo depois do lançamento do filme, essas imagens da menina chorando o tempo todo apenas pra promover através do sentimentalismo. Porém, ela traz bastante dessa criança deslumbrada que não conhece nada do mundo ainda. A raiva, a dúvida, o medo, a ingenuidade...
O filme mostra
bem essa descoberta. Ela lida com isso, com descobertas. Foi superestimado? Foi
sim. Mas é um filme acima da média também. Não identifiquei tantos clichês
quanto você e também não achei a abordagem tão comum, já que ele mistura bem o
lado lúdico com a realidade dela que não é nada fácil. O realismo fantástico também
me fez comparar o filme a Onde Vivem Os Monstros, mas aqui os acontecimentos
são mais físicos, já o Max procura o escapismo por motivos psicológicos.
Não acho que
seja um filme sessão da tarde e não tenho nada contra essa sessão que me formou
e te formou como espectador. Dentro do universo Oscar, é um dos que mais merece
as indicações que levou.
Indomável Sonhadora: Indicação
Eu
tava bem empolgado pra ver esse filme, porque ele tinha tudo pra virar um
queridinho: protagonista mirim, prêmio em Sundance, realismo fantástico e um
pôster bonito. Mas acabou que eu fiquei sem entender o hype.
Na minha opinião esse monte de prêmio que ele ganhou mundo afora
foi tudo pelo fator fofura do filme. A Quvenzhané Wallis é
uma lindinha, com um carisma proporcional à quantidade de consoantes no nome
dela, mas a atuação dela não tem nada demais. É que nem qualquer criança de 6
anos fazendo gracinhas e fingindo ser adulta. E o mais engraçado pra mim é que
o filme ganhou indicação em quase todas as categorias do Oscar mas foi deixada
de fora em fotografia, que é o que o filme tem de melhor! Por favor, gente,
anotando o nome do responsável pra trabalhar com ele um dia. O cara filma só pântano mato e lixo e faz tudo isso parecer bonito e lúdico! Vem pra cá fazer
favela movie, seu lindo!
Enfim, no fim das contas, eu não odeio o
filme... acho um filme razoável, mediano. Fofinho, mas só isso.
Joven y Alocada: Resposta
Cara, que delícia de filme! É um cinema jovem, cheio de frescor, com poucas pretensões e muita honestidade, conversando diretamente com seu público sem menosprezar a inteligência dele. Sinto muita falta de um tipo de cinema assim no cenário nacional. Acho que o único que eu vi que realmente cumpre essa proposta é o lindinho "Antes Que o Mundo Acabe".
E filmes sobre descoberta sexual são sempre ótimos porque são muito identificáveis, ainda mais pra quem tem entre 15 e 20 e poucos anos. Eu por exemplo não sou de uma família religiosa, não sou uma garota e nunca namorei um varão do Senhor que acha que é pecado tocar em mim, mas mesmo assim conseguia me identificar muito com a personagem. Como ela diz em um dos momentos do filme "a virgindade se perde por partes e deve ser difícil perdê-la por inteiro". Cara, isso é muito verdade e manual nenhum preparou a gente pra isso, a gente aprende no duro (tum dum tss)! Achei esse insight de uma genialidade tão incrível que me deu vontade de jogar o print no meu tumblr, se eu tivesse um.
O elenco é muito bom e a direção é realmente muito focada pra um filme de estreante. Trata de muitos temas com seriedade, mas nunca cai no chato ou no engajado, sempre mantendo o tom leve e divertido. Além da montagem com as referências a blog e as animações brincando com o sagrado/profano, adorei como os textos que ela escreve também tão sempre relacionando termos cristãos ao sexo.
é um ótimo exemplo de pequeno grande filme, que tinha tudo pra ser hit, mas vai passar despercebido. Poucos vão ver, mas quem ver vai se apaixonar.
PS: se eu me converter Deus me dá um varão do senhor que nem o dela? Entra na minha casa, entra na minha vida, pfvr!!!
Joven y Alocada: Indicação
(cartaz mais lindo do blog até agora).
Estava
precisando de um filme menos compromissado. Esse é a sua cara! Todo feito em
fotografia, roteiro, montagem e atores indies da América do sul. Ele fala sobre
a Daniela, uma menina evangélica que conta sua vida em um blog chamado Joven y
Alocada. Agora vamos ao ponto mais polêmico: o título nacional.
Em espanhol o
título é Joven y Alocada. Em inglês o título é Young & Wild. Em português o
título continua o mesmo, Young & Wild. PORÉM, ganha um lindíssimo subtítulo
que fala muito sobre o machismo e o moralismo nacional. Young & Wild: As
aventuras de uma ninfomaníaca... Cara, a moça não é ninfomaníaca, ela só é uma
garota normal que gosta de sexo. O filme fala sobre poliamor, sobre religião,
sobre descoberta da sexualidade, sobre culpa, sobre família, sobre câncer,
sobre homossexualidade, bissexualidade... Fala de tudo! Menos ninfomania.
Aliás, inicialmente o filme dá muita ideia de sexo, muito palavreado chulo,
muita simulação, mas sexo de verdade não aparece. Só lá pela metade que as
cenas começam a ficar mais explícitas e aí então o vocabulário fica mais manso.
Nem preciso
falar que eu amei. Poderia ser uma série, em minha opinião, mas como os
chilenos não tem esse costume acho difícil que aconteça. Primeiro filme da Marialy Rivas e já mandou super bem. O ritmo do filme é muito gostoso, a montagem
brinca o tempo todo com o esquema do blog, a fotografia é linda e toda
coloridinha, a temática é cheia de sagrado e profano, fator que me deixa excitadíssimo
na maioria das vezes, os atores são uns fofos e muito destaque pra protagonista Alicia Rodríguez que é linda e deu o tom certo de culpa e dúvida pra personagem.
Lembrando que
este artigo não é sobre Bruna Surfistinha, ainda não escrevi sobre isso.
- Página no IMDb
- Henrique ainda não assistiu.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Rhino Season: Indicação
Esse eu
assisti com a minha mãe. Apesar de não ser filme pra ver com a mãe, ela estava
por perto e acabou assistindo. Ele conta a história de um poeta iraniano que é
preso, mas isso está relaciona a um triângulo amoroso que rola durante a trama.
Segundo minha mãe, é um filme estranho com gente encardida e feia que usa roupa
com cores tristes, mas não posso escrever isso porque não concordo e porque é
ofensivo e um tanto racista.
O roteiro é
intrigante, muitas reviravoltas e muitos barracos porque é isso que esses filmes
do Oriente Médio – não sei onde fica a Turquia, mas tem um pouco de Irã no
filme, então acho que se encaixa – gostam de mostrar. A Monica Bellucci está no
filme e ela é o único fator que não causa estranheza na gente. Confesso que
achei os atores Behrouz Vossoughi e Yilmaz Erdogan – metade do tempo que
levei redigindo a postagem foi dedica a escrever esses nomes – muito parecidos
e isso dificultou um pouco a compreensão dos fatos.
Tem que assistir
porque o Martin Scorsese está envolvido e possivelmente vai gerar discussões em
alguns meses. Eu nunca nem ouvi falar do diretor, um tal de Bahma Ghobadi. O
nome do Martin está sendo bem mais relacionado ao filme do que o dele. Pobrezinho.
- Página no IMDb
- Henrique ainda não assistiu.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
The Paperboy: Resposta
Parece um pornô vintage sem sexo explícito. Na verdade, antes desse filme eu nem sabia que se fala inglês no Equador. Pra mim, saiu de LA e NY já não é mais EUA. Aliás, essa é a maior qualidade do filme, sair da zona de conforto. Todo mundo ali tá fora dela, principalmente os atores. Esse trauma que o Lee Daniels tenta causar associando prazer com escatologias funciona muito mais do que aquela desgraça sem fim de Precious.
Não entendi o motivo de tanta gente odiar o filme. Dentro da proposta brega e exagerada dele tudo me pareceu razoável. A montagem é ridícula, mas coerente. É como se tivessem empregado um daqueles fotógrafos de casamento pra montar o filme. A cena do sexo tântrico entre a Nicole Kidman e o John Cusack me deixou constrangido. Nada ali é sexy. Matthew McConaughey me surpreendeu, está bem seguro na atuação. Emagrecer 46kg pro Killer Joe fez ele entender que ator não é pago apenas pra ser bonito.
Como diria a Nicole, caso conseguisse mexer a boca: Ninguém é tão velha que não possa se sentir atraída pelo Zac Efron.
The Paperboy: Indicação
Assisti
"The Paperboy" pronto pra odiar e poder meter o pau depois - não
simpatizo muito com o Lee Daniels e acho "Preciosa" um dos piores
filmes dos últimos tempos - mas o filme acabou sendo uma excelente surpresa. A
escolha do elenco foi excelente, principalmente por colocar os atores em papéis
inesperados: Zac Efron de jovem inseguro, Nicole Kidman de
piriguete, Matthew McConaughey (que por sinal deve ter trocado de agente,
porque do nada o moço abandonou as comédias românticas flopadas e pegou uns 4
papéis bacanas em sequência) num papel a ser levado a sério, John Cusack de
presidiário acusado por homicídio e, a maior revelação do filme, a cantora Macy
Gray (sempre fina) como uma divertida empregada e narradora da história. No fim
das contas "The Paperboy" acaba tendo personagens mais interessantes
do que o seu próprio enredo, o que acaba sendo uma coisa boa, porque cada um
deles tem o seu momento pra brilhar.
Outro ponto que vale ser
ressaltado é a estética do filme. A história se passa numa cidade sulista do
fim da década de 60, o que dá um plano de fundo bem interessante pra direção de
arte brincar. Tudo é bem exagerado, bem over, do uso das cores à tensão sexual
onipresente (todo mundo sempre muito suado, muito olhar de desejo, muito Zac
Efron de cuequinha branca). E é interessante como Lee Daniels tá
sempre permeando o sexy, o bizarro e o cômico, mesclando cenas de sexo com
imagens de animais mortos no pântano, por exemplo. Como se o calor daquele
verão fosse catalisador tanto da libido quanto da podridão daquele lugar e
daquelas pessoas. A fotografia também tem uma estética meio vintage, meio
perdida no tempo. E além de tudo isso, ainda acha espaço pra por uma ou
duas reflexões sobre temas como preconceito e racismo.
Enfim, "The Paperboy" é
um daqueles filmes que não vai mudar a sua vida, mas é bem divertido e foi
muito bem trabalhado. Vejo até um certo potencial a ser redescoberto daqui a
alguns anos e virar uma espécie de clássico cult por esses fatores
estéticos.
Mas se mesmo assim você achar que
nada disso vale a pena, veja por Nicole. Elefante Branco: Resposta
Não foi nem preciso reconsiderar, meu querido! Tava sem pressa pra ver esse filme, mas assistiria de qualquer forma pelo simples fato de ser argentino. Eles já aprenderam o que o cinema brasileiro só consegue uma vez por ano: fazer um filme com conteúdo mas com apelo comercial. Eles fazem filmes com enredos atraentes que prendem o público, mas fazem isso com qualidade e se preocupando em ir além do entretenimento É o melhor de dois mundos.
E aqui nos temos um puta filme! A temática favela é tratada com realismo e vigor, mas ele não usa nenhum dos artifícios de gênero que me incomodam. A direção é de aplaudir de pé. Essas cenas de perseguição e correria filmadas em planos-sequência em que a câmera não dá uma tremidinha sequer fez meus olhos lacrimejarem de admiração pelo Trapero. É uma direção tão firme, mas ao mesmo sutil e elegante... acho pra poucos. Outro destaque do filme é esse papel da religião, que é tão presente nesses cenários de miséria, e como a moral cristã influencia a relação certo/errado pra essas pessoas.
e discordo de você quanto ao Ricardo Darín. Acho ele um baita ator, e aqui ele sabe muito bem se por como coadjuvante pra fazer o Jérémie Renier (meu mais novo objeto de desejo) brilhar.
Enfim, gostei demais do filme.
Elefante Branco: Indicação
Estou simplesmente amando esse
cinema argentino diferenciado do Pablo Trapero. Sério, nenhuma cena de gente
linda tomando café em Buenos Aires, inovador! Dessa vez ele usou uma temática
que eu gosto muito e é bem fácil de se identificar sendo brasileiro: problemas
habitacionais/favela. Ele acompanha a vida de pessoas que articulam a
comunidade, como padres e a assistentes sociais. Muito conflito social, muita
briga de classes, muita ocupação, muita droga, muito pinheirinho!
Ricardo Darín se consagrou o Selton Mello argentino no ano passado, fez seis filmes por semana por motivos: Oscar. Gosto dele,
mas nunca vi nada de excepcional nas atuações. O filme tem no elenco o Jérémie Renier, que é putinha dos irmãos Dardenne e eu amo muito. A Martina Gusman, que
é putinha do próprio Trapero, também está lá. Aliás, gostaria de saber que
passado obscuro dela explicaria aquela tatuagem tensa de escorpião no ombro...
Fica aí o mistério.
Os argentinos, diferente dos
brasileiros, adoram esconder os fatos. O Trapero vai pelo caminho contrário, mostra
todas as feridas e te convida pra colocar o dedo. Às vezes o filme tem até um
tom didático por isso, mostra-se muita ditadura no cinema argentino, mas
violência e narcotráfico são temas pouco explorados. É um cinema favela mais
sutil e como sei que você não curte, peço desde já que reconsidere e dê uma
chance.
#RECONSIDERA #HENRIQUE
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