Cara, O Michael Haneke é provavelmente o diretor contemporâneo que mais me abala, porque não consigo decidir se gosto ou não dele. Independente disso, o fato é que sempre tenho reações interessantes vendo os filmes dele. Mas "Amour" foi o menos impactante dos que eu já vi.
Achei tudo muito orquestrado, e aqui isso não é um elogio, porque ele não faz isso com a naturalidade e mão certeira que o Paul Thomas Anderson possui. É como se ele tentasse fazer um filme realista, com diálogos orgânicos, mas tudo acaba ficando muito posicionado. Cada pausa, cada virada, cada olhar. Achei forçado e falso. Mas calma lá, não estou de forma alguma criticando o trabalho dos atores! Terminei de ver o filme só pelos dois, que estão com atuações impecáveis, especialmente a Emmanuelle Riva, que tá um absurdo de tão convincente e me deixou sem ar em alguns momentos. Enfim, não tem como criticar o desempenho dos atores, mas nem o excelente trabalho deles me tirou essa sensação plástica que o filme tem.
Não sei, mas sinto que desde "A Fita Branca" o Haneke entrou numa de montar o filme já pensando em ganhar prêmios. A temática da morte, 2 atores consagrados que andavam meio sumidos, o ritmo lento e sem trilha sonora pra "valorizar o silêncio", filmar plateia no começo, começar pelo final, a metáfora do pombo. Ah, é demais pra mim!
Mas o que mais me surpreendeu nisso tudo é: eu não chorei em nenhum momento. Nem um friozinho na espinha me deu. E isso era uma certeza que ele me passava... gostando ou não, ele ia me fazer chorar. Mas acho que deu tanta raiva do Haneke enquanto eu assistia que não sobrou espaço pra emoção na hora que ele fica comovente. E sabia aquilo dele fazer bons filmes mas sempre dar uns finais chochos? Achei que aqui foi o contrário, gostei mais do final do que do resto da narrativa.
No fim das contas o filme serviu pra duas coisas: pra gente apreciar o magnífico trabalho da Riva e pra eu perceber que gosto do Haneke porque ele é um sádico cruel e é bom nisso. Percebi que isso é o que mais me cativa nos outros filmes dele, mas aqui ficou deslocado. Sim, acho que além de apelativo ele foi muito sádico na direção desse filme. Aquela cena que ele tenta dar água pra ela por exemplo é totalmente desnecessária e cruel, porque não foi inserida ali pra mostrar como é difícil a situação que os personagens estão vivendo ou algo do tipo. É só Mikezinho polemizando! Achei errado.
Ah, e pra fechar queria dizer que na indicação de "Amour" eu indico que vocês não assistam! É melhor ver o "Parada em Pleno Curso" no lugar. Temática bem parecida, mas muito mais sincero e interessante.

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