Se havia algum
boato sobre a inimizade entre os Dardenne e o Mungiu por causa dos dois
ganharem a Palma de Ouro por filmes da mesma ‘família temática’, – A criança e
4 meses, 3 semanas e 2 dias – acabou aqui com essa parceria técnica deles.
(parágrafo escrito
apenas para falar dos Dardenne).
Confesso
que inicialmente achei o filme bem lento! O que me prendeu foi esse jogo de
tentar descobrir a relação entre as personagens e a história de cada uma delas
só pelos diálogos que aconteciam. Estava indisposto, achando o filme escuro,
sem luz, não enxergava nada, queria dormir... Até que comecei a tentar entender
aquilo tudo.
Tentei
entender aquele negro sempre presente, tanto no figurino quanto na fotografia. Percebi
que tudo era mistério e muito do que aconteceu eu não vi, apenas ouvi as
personagens comentando e sugerindo os fatos. Quando a pouca luz não velava os
fatos, as roupas negras das freiras faziam o serviço. É um filme impecável. Nada
está ali de graça. A maior qualidade técnica é o roteiro mesmo, que consegue te
contextualizar dentro de toda aquela problemática religiosa/sexual/social/humana
sem expor demais e sem ofender sua inteligência.
O que mais me
encantou foram as simbologias. Esse preto constante do medo, da ignorância, do
desconhecido. Aquela cena da neve, vista pelo vidro do carro que de repente é
tomado por lama e mancha a sua visão branca da neve sem realmente manchar a
neve... Merecia minha visita ao cinema, pena que não acreditava no filme antes.

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