Henrique ainda não assistiu.
sábado, 30 de março de 2013
O Som ao Redor: Indicação
Até que enfim
assisti ao comentado filme do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho. Juro
pra você não deixei as interferências exteriores abalarem a minha
imparcialidade, o filme é realmente fantástico. Ele consegue fazer um retrato
definitivo da classe média brasileira e digo mais, consegue uma identidade
nacional que eu não tinha visto em roteiro algum. Através de um bairro de
classe média no Recife, o diretor nos dá uma amostra do cotidiano dos
personagens que compõem esse pequeno feudo moderno. Temos a dona de casa, o
rapaz solteiro, as empregadas domésticas, os seguranças, os condôminos, o
porteiro... É um mundo muito rico de histórias que não se cruzam, mas possuem
algo em comum.
Todos os
personagens possuem uma ligação quase sentimental com seu patrimônio e sua
necessidade de segurança nunca é saciada. O tempo todo eles se sentem invadidos
e acuados, desconfiam e se incomodam com tudo. Apesar do filme se passar fora
do eixo Rio-São Paulo, que muitos acreditam ser o verdadeiro Brasil, ele não é
nada bairrista. O único elemento regional forte que encontramos é o do
personagem Francisco, que funciona como uma espécie de coronel urbano, por ser
proprietário de metade dos imóveis do bairro.
O roteiro é bastante simples e
por isso está tão perto da genialidade. As atuações são extremamente livres,
temos o sotaque pernambucano que, apesar de não ser tão forte quanto os
estereótipos costumam ilustrar, dá um ritmo especial aos diálogos. A montagem
também é digna de nota, pois também carrega esse ritmo, mesclando histórias sem
se tornar confuso. Seria clichê dizer que é o melhor filme nacional da década, mas
aqui não ligo pra isso: É o melhor filme nacional da década.
- Página no IMDb.
- Henrique ainda não assistiu.
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