sábado, 30 de março de 2013

O Som ao Redor: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

O Som ao Redor: Indicação



Até que enfim assisti ao comentado filme do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho. Juro pra você não deixei as interferências exteriores abalarem a minha imparcialidade, o filme é realmente fantástico. Ele consegue fazer um retrato definitivo da classe média brasileira e digo mais, consegue uma identidade nacional que eu não tinha visto em roteiro algum. Através de um bairro de classe média no Recife, o diretor nos dá uma amostra do cotidiano dos personagens que compõem esse pequeno feudo moderno. Temos a dona de casa, o rapaz solteiro, as empregadas domésticas, os seguranças, os condôminos, o porteiro... É um mundo muito rico de histórias que não se cruzam, mas possuem algo em comum.
Todos os personagens possuem uma ligação quase sentimental com seu patrimônio e sua necessidade de segurança nunca é saciada. O tempo todo eles se sentem invadidos e acuados, desconfiam e se incomodam com tudo. Apesar do filme se passar fora do eixo Rio-São Paulo, que muitos acreditam ser o verdadeiro Brasil, ele não é nada bairrista. O único elemento regional forte que encontramos é o do personagem Francisco, que funciona como uma espécie de coronel urbano, por ser proprietário de metade dos imóveis do bairro.
O roteiro é bastante simples e por isso está tão perto da genialidade. As atuações são extremamente livres, temos o sotaque pernambucano que, apesar de não ser tão forte quanto os estereótipos costumam ilustrar, dá um ritmo especial aos diálogos. A montagem também é digna de nota, pois também carrega esse ritmo, mesclando histórias sem se tornar confuso. Seria clichê dizer que é o melhor filme nacional da década, mas aqui não ligo pra isso: É o melhor filme nacional da década. 


sexta-feira, 29 de março de 2013

Preenchendo o Vazio: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

Preenchendo o Vazio: Indicação



Estou encantado com esse filme da diretora estreante Rama Burshtein. Adoro esses roteiros que jogam uma luz sobre culturas e religiões que a gente não conhece muito bem. Aqui nós vemos um pouco dos rituais judaicos e da linha de pensamento da religião, que interfere diretamente e constantemente na vida dos personagens. Ele mostra os conflitos de Shira, interpretada por Hadas Yaron, que ao perder a irmã, tem que decidir entre casar com seu cunhado Yohai, interpretado por Yiftach Klein, ou vê-lo partir para a Bélgica com seu sobrinho recém-nascido. Com essa premissa de novela das oito, o filme vai desenvolvendo um roteiro bastante complicado, cheio de interferência sociais, familiares e religiosas, que dificultam a decisão da moça.
O mais incrível são os costumes que vemos durante o filme. Tem alguns detalhes sobre os rituais de circuncisão, sepultamento e obviamente o casamento. O rabino, em alguns momentos, é mostrado como uma espécie de Poderoso Chefão judeu, dando conselhos, ajuda financeira e orientando os fiéis até mesmo nas decisões mais banais. O valor da mulher é medido pela sua capacidade de casar e manter uma família harmoniosamente, elemento que aparece em diversas religiões patriarcais e que não cabe a mim julgar nesses humildes três parágrafos.
Apesar de ter algumas cenas bastante óbvias e previsíveis e uma barriga de grávida mais falsa que a de Taubaté, o filme traz um frescor e uma intimidade com a cultura judaica que não havia assistido em nenhum outra. Normalmente o roteiro trata o tema de forma didática ou com muitas informações tradicionais que dificultam a compreensão de leigos.  Não é o caso, pode assistir sem medo.


quinta-feira, 28 de março de 2013

L: Resposta

Henrique ainda não assistiu

L: Indicação




Vou ser absolutamente honesto com você, não entendi muita coisa, só captei alguns padrões. É o primeiro filme do Babis Makridis e já mostra uma linha de criação extremamente autoral e subjetiva. Ponto pra ele! Porém, continuo não entendendo... É quase impossível fazer uma sinopse, ele mostra basicamente um motorista profissional, interpretado por Aris Servetalis, que decide trocar seu carro por uma moto após ser demitido. O filme é recheado de repetições em sua primeira parte, enquanto o personagem ainda dirige carros e após a troca por uma moto percebemos que ele passa a ter uma vida mais livre.
Não ficou muito claro pra mim, mas acredito que o filme possui alguns toques de realismo fantástico, o que eu adoro.  O protagonista por algumas vezes vê seu amigo falecido, conversa com ele e essa relação muda após a chegada da moto em sua vida, esses contatos passam a ser mais presentes. Achei interessantíssimo o paralelo que o roteiro faz entre a personalidade dos personagens e os meios de transporte que eles usam – carro, moto, barco. Boa parte do filme se passa sobre rodas, pouco vemos os personagens andando. Eles comemoram aniversários dentro dos carros, desenvolvem diálogos, trabalham, fazem tudo naquele ambiente. Isso me lembrou bastante a obsessão do David Cronenberg pelo tema.
Quero muito que você assista pra jogar uma luz sobre as minhas dúvidas. Preciso interpretar melhor o que vi, sinto que muita simbologia e metáfora passou diante dos meus olhos e eu não tive a capacidade de compreender.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Sudoeste: Resposta

Henrique ainda não assistiu

Sudoeste: Indicação



Esse aqui vai pra quem dizia (Rafaela) que eu não assisto filmes nacionais. Grande presente da minha semana essa obra do Eduardo Nunes, que surgiu num momento em que eu já estava desacreditado e criticando de forma descabida nossos queridos diretores. Como poucos de nós sabemos, existe vida fora da Globo Filmes e esse é um grande exemplo do que rola no cenário atual brasileiro longe das amarras dessa produtora #ACORDA #BRASIL. Recentemente o Kleber Mendonça Filho andou falando várias sobre esse assunto e acho que ele está mais apto a tratar disso do que eu, portanto, se estiverem interessados leiam a entrevista dele. Voltando à indicação de hoje: Temos aqui um exemplo raro de cinema contemporâneo brasileiro. Não dá muito pra fazer sinopse, ele acompanha basicamente o dia de uma garota, Clarisse, que é interpretada por diversas atrizes no decorrer do roteiro para ilustrar as descobertas de mundo e compreensão da vida adulta que essa garota vivencia. É como uma versão dramática de ‘Onde Vivem os Monstros’, só que sem monstros além do próprio homem.
O diretor, que é um estreante, foi absolutamente delicado e poético ao tratar de assuntos polêmicos e pesados. Ouvi muita comparação com um dos meus filmes nacionais favoritos ‘Lavoura Arcaica’, do gênio desnaturado e diretor de um filme só Luiz Fernando de Carvalho, e no começo fiquei bastante injuriado, mas depois de assistir e amar, posso dizer que os dois filmes apesar de não serem irmãos, são primos próximos. Ele traz um formato de tela diferente, mais horizontalizado do que o comum, o que filtra bastante as imagens. Sinto que o diretor optou pela simplicidade tanto nessa questão quanto no uso de preto e branco ao invés das cores e no roteiro de poucos diálogos.
As atuações são belíssimas. Temos diversos sotaques do Brasil, com atores de diversas partes, elementos culturais de vários pontos do país e uma identidade formada com essa colcha de retalhos. É incrível como a miscelânea de brasilidades reforça imensamente a identificação do público com o filme. Eduardo Nunes traz de volta algumas atrizes que marcaram o cinema nacional, como Dira Paes, SimoneSpoladore e Mariana Lima. Resumindo: É cinema arte tupiniquim, daqueles que não víamos há um bom tempo. Que venha mais ‘O Som ao Redor’, que venha mais ‘Febredo Rato’ e que venha mais ‘Sudoeste’!


segunda-feira, 25 de março de 2013

Na Neblina: Resposta

Henrique ainda não assistiu

Na Neblina: Indicação



Esse aqui faz um tempinho que assisti no cinema. Estava meio que tomando fôlego pra escrever sobre ele. É um filme complicadíssimo do Sergei Loznitsa, que ainda não sei bem se gostei ou não. Não vou contar muito sobre o filme porque é daqueles que o roteiro vai entregando a história aos pouquinhos. No início do filme você é situado num contexto de guerra em que Sushenya, Vladimir Svirskiy, é levado por dois homens que o acusam de traição. Por algumas reviravoltas da história, um deles é ferido e os três são obrigados a cooperar um com o outro. É aí que começamos a ver, através de pequenos flashbacks, a evolução da trama, que vai mostrando alguns detalhes de uma fase específica da vida de cada um.
Apesar de ser um filme declaradamente sobre guerra, não vemos aquele cenário típico com milhões de pessoas mortas, bombas, tiro pra todo lado, não tem nada disso. O filme é bastante intimista, mostra os horrores da guerra em uma escala menor, o que cada um sofreu com aquela situação e as consequências disso em suas vidas.  O ritmo é BEM lento, mas assim como o ‘Alémdas Montanhas’, por ir segurando pequenos detalhes e ir revelando aos poucos a relação entre os personagens e seus passados, tudo se torna muito interessante e dificilmente você se dispersa, caso ocorra, volte o filme porque a compreensão será afetada.
Filme difícil, não é pra assistir comendo pipoca ou fazendo a unha. Tem que reservar umas duas horas aí de dedicação total. Honestamente achei morno, talvez eu reassista algum dia pra ver se compreendo melhor, sou uma pessoa um tanto desconcentrada, isso pode ter prejudicado meu julgamento.


domingo, 24 de março de 2013

Eu e Você: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

Eu e Você: Indicação



Meu deus! Bertolucci acaba de fazer um clássico do cinema adolescente e vocês continuam a viver suas vidas sem ter assistido, é isso? Um garoto de quatorze anos meio sociopata chamado Lorenzo, interpretado por Jacopo Olmo Antinori, decide ir passar uns dias no porão de sua casa e mente para sua mãe dizendo que foi esquiar com os colegas de classe. Sua meio irmã Olivia, interpretada pela deusa Tea Falco, chega à cidade e descobre que o garoto está lá e através de um pouco de chantagem fica hospedada com ele no porão. Se você, assim como eu, pensou que pela premissa ia rolar um sexo incestuoso entre os dois, está redondamente enganado.
Aqui, o Bertolucci usa todos os elementos das suas grandes obras: Personagens bonitos vivendo juntos num local resguardado do mundo e um pouco insalubre, se conhecendo e se tornando íntimos, com diálogos incríveis e muita polêmica. A grande diferença é que o sexo era muito presente em filmes como ‘Último Tango em Paris’ e ‘Os Sonhadores’. Nesse filme, a conversa e a troca de segredos é o elemento que une os personagens e os torna íntimos. O que não muda é a capacidade do Bertolucci de criar verdadeiras divindades femininas em suas obras. Dessa vez a sortuda foi Tea Falco. Não sei explicar o que é essa garota. É de um charme e um talento absurdos. Ela vive uma jovem viciada em heroína, então vemos a atriz gritar muito, chorar muito, definhar... Nasce uma nova estrela! Isso atrapalhou totalmente o sucesso do colega de trabalho Jacopo, que nem vi durante o filme. Cheguei a pensar que seria legal trocar o moço pelo Ezra Miller, mas acho que, além dele não falar italiano, é muito velho pro personagem e provocaria uma pane mundial nos cinemas durante a exibição desses dois atores radioativos em cena.
É isso. Espero que esse filme seja descoberto daqui alguns meses pelo mundo e seja dado seu devido valor. Traz tanta discussão boa e de forma tão leve e gostosa, sem julgamentos, sem muito sentimentalismo. Acho que tem que assistir agora e também tem que ir pro Google pesquisar uma fotos da Tea, que esse filhote dePenélope Cruz menos voluptuosa e mais blasé.


sábado, 23 de março de 2013

A Caça: Resposta

Henrique ainda não assistiu

A Caça: Indicação



Para as pessoas que leem o blog e ficam em dúvida sobre qual filme é realmente importante assistir, eu já aviso: Assista esse aqui! Não é novidade pra ninguém que o Thomas Vinterberg, a cria do Dogma 95 que eu mais amo, só sabe fazer filme inesquecível, mas nesse novo trabalho reparei certa maturidade. Ele trata de dramas e discussões tão provocantes quanto os que ele já abordou, porém comum pouco mais de sensibilidade. Mais do que contar a história do professor de jardim da infância Lucas - interpretado por Mads Mikkelsen – que é acusado de pedofilia, o filme discute a força da palavra. O que o testemunho de uma garota pode mudar na vida de um homem e como a repercussão do caso pode destruir a vida de um inocente, tornando-o culpado no juízo da sociedade. Amo esses filmes que transformam pessoas comuns em ‘vilões’. Na verdade tudo é muito real, muito plausível. Nós nos perguntamos o tempo todo quem sofre mais e o que faríamos no lugar dos personagens e a grande verdade é que julgaríamos da mesma forma.
Aconteceu um caso parecido em São Paulo, em que os donos de uma creche foram acusados de pedofilia. Diferente do filme, que aborda a proporção que o caso toma em uma pequena cidade, aqui tivemos a mídia nacional cobrindo. Eles foram alvos de atentados, tiveram de fechar o estabelecimento e no fim das contas eram inocentes. Obviamente os esforços em incriminar o casal foram muito maiores do que os esforços em limpar o nome deles. Quase sempre confundimos suspeitos com culpados e através desse roteiro, Vinterberg te coloca na pele do acusado e te faz sofrer junto com ele, clamar por justiça, conhecer a intimidade e se sentir revoltado com o que acontece no cotidiano do personagem hostilizado.
Não vou comentar a técnica porque o Vinterberg nunca erra, só acerta. E quando erra é proposital. Já faz um tempo que o Mads Mikkelsen vem construindo uma casinha no meu coração, mas nesse filme ele é absolutamente genial. Acho que jamais vou esquecer o olhar ressentido dele para os pais de Klara dentro da igreja. Enfim, para de ler e vai assistir agora, está perdendo tempo aqui.


sexta-feira, 22 de março de 2013

Dentro da Casa: Resposta

Henrique ainda não assistiu

Dentro da Casa: Indicação



Cedi às milhares de indicações que apontavam o François Ozon como um excelente diretor e decidi assistir seu último filme, ‘Dentro da Casa’. Já mandei buscar uma camiseta com a foto do cara e tatuei umas frases do roteiro na nuca, minha carteirinha do fã clube chega ainda essa semana. Sabe quando você se pergunta: Por que eu demorei tanto tempo pra dar uma chance? Então, é exatamente o que pensei e de agora em diante todas as minhas forças estão concentradas em fechar a filmografia dele.
A premissa do filme é muito básica e inicialmente achei clichê. O professor de francês Germain, interpretado por Fabrice Luchini, já cansado do desinteresse de seus alunos medíocres, vê em Claude, interpretado brilhantemente pelo 'novato' Ernst Umhauer, uma chance de realizar seus sonhos frustrados de se tornar um escritor. Já vimos isso antes? Sim, milhões de vezes, porém, o roteiro nos guarda algo muito maior. Germain descobre essa inclinação do aluno durante a correção de um de seus textos, em que Claude conta detalhes íntimos do cotidiano de um de seus colegas de classe. O professor fica curiosíssimo, pois o aluno nunca termina a história e passa a incentivá-lo a contar, através dos textos, suas aventuras vouyeristas dentro da casa dos Rafas. Ele faz isso a todo custo e Claude é um gênio do suspense e da sedução. O personagem tem o melhor de cada manipulador que já vimos no cinema, principalmente a flexibilidade e a sensualidade do visitante de Teorema, referência citada no próprio filme. Devemos guardar MUITO bem a imagem, o rosto e o nome de Ernst Umhauer. Esse é o primeiro filme relevante do rapaz que já traz uma característica absorvente, charmosa e sedutora que não vemos há tempos. Quem também está nesse filme, interpretando Jeanne, esposa de Germain, é a Kristin Scott Thomas que está tão fofa no papel que me fez passar a gostar dela.
Mas o melhor disso tudo é o roteiro que te engana, que te confunde, te faz perder a noção do que é real, do que o Claude inventa, confunde o cotidiano da escola com a trama criada, te deixa curioso, te faz se identificar com o professor que faria de tudo pra chegar ao fundo dessa história. Ultimamente estamos bem amparados no quesito roteiro e esse, em especial, é aquele tipo de filme que quando você toma ciência da existência, é automaticamente obrigado a pausar todos os torrents da lista para dar prioridade.
P.S.: Ozon vai entrar na lista de fim de ano dos diretores que a gente pensa que é feio mas na verdade é bonito. Paul Thomas Anderson já está lá sentadinho.


quinta-feira, 21 de março de 2013

Anna Karenina: Resposta

Henrique ainda não assistiu.


Anna Karenina: Indicação



Quanta homenagem ao teatro assistimos esse ano, hein. Desde o inovador ‘César Deve Morrer’, passando pela nova obra do Resnais ‘Vocês Ainda Não Viram Nada!’, até aquele erro do Tom Hooper que não ousou mencionar o nome. Agora, fechando os trabalhos de 2012, temos o novo filme do Joe Wright, diretor que adora uma adaptação literária. Aqui a homenagem ao teatro vem na cenografia. Ele brinca com os elementos de palco, com atuações exageradas, algumas cenas coletivas coreografadas... É uma delícia e por vezes você se pergunta: Como ele fez isso? Mesmo nas locações externas, você sempre tem o palco teatral como ponto de referência, é brilhante.
A história é aquela que a já vimos nas duzentas outras adaptações de ‘Anna Karenina’. Uma aristocrata russa e casada se apaixona por um conde, vive um caso com ele e passa por todas as complicações que esse tipo de escândalo poderia gerar numa sociedade ‘conservadora’.  O elenco está bem certinho e é tão grande quanto um casting de novela. Aqui temos a Keira Knightley - que deve usar corset até pra catar roupa no varal quando a chuva está chegando - interpretando a Anna Karenina. O Conde Vronsky ficou por conta do Aaron Johnson que eu ainda não sei se gosto, está faltando idade ali e resolver aquele hair issue. Aliás, esse é o filme patrocinador oficial do Hair Issue.  Jude Law, com sua careca imponente, ficou com o papel de Karenin e está envelhecendo muito mal. Mathew Macfadyen é o irmão da Anna – pra você que não lembra, ele foi o Mr. Darcy mais charmoso que o mundo já viu em ‘Orgulho e Preconceito’. Outro destaque do elenco é o casal Alicia Vikander - que conhecemos recentemente em ‘O Amante da Rainha’ e que se não tomar cuidado vai pro mesmo rumo da Keira, só fazendo personagem do século III A.C. – e Domhnall Gleeson – que conhecemos por ser ruivo e ter feito Harry Potter. Quem também está lá, aparece quatro minutos, mas eu amo e acho que tem que entrar na lista é a Emily Watson que fazia uma bitch qualquer lá na trama.
Acho que acabou meu limite de três parágrafos com bom senso, mas é isso aí. Assita logo porque é lindo, bem dirigido, tema emocionante, casting sedutor e talentoso... Merece muito nosso tempo de espectador.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Um Alguém Apaixonado: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

Um Alguém Apaixonado: Indicação



Venho tentando assistir esse filme desde dezembro de 2012 e nada. Dessa vez consegui e que grande surpresa. O novo filme do diretor Abbas Kiarostami, gênio por trás da obra prima ‘Cópia Fiel’, é tão brilhante quanto o seu anterior, protagonizado pela Juliette Binoche. Por meio de um roteiro puramente baseado em diálogos, ele mostra o encontro da garota de programa Akiko, interpretada por RinTakanashi, com um de seus clientes, o professor de Sociologia Takashi, interpretado por Tadashi Okuno. A premissa é essa, muito simples e costurada por diálogos longos e absolutamente interessantes, instigantes, complexos e até transformadores.
O mais louco no filme é a sua duração. Ele tem aproximadamente duas horas, uma duração de normal pra longa. O ritmo do filme é bastante lento, temos pouca ação, muito silêncio, diálogos longos com grandes e poucas pausas. Porém, o tempo passou e eu não vi! Não sei que magia é essa que faz um roteiro fadado a chatice ser tão hipnotizante, só sei que funcionou. Mais uma vez ele repete aquela brincadeira maravilhosa de personagens inventado fatos e fingindo ser outras pessoas, mas diferente de ‘Cópia Fiel’, aqui o espectador tem consciência da real história dos personagens, não há tentativa de confundir o espectador, você compactua com a farsa.
Não conhecia tão bem o Kiarostami e, apesar de concordar que ‘Cópia Fiel’ é um filme incrível, ‘Um Alguém Apaixonado’ bateu muito mais forte em mim. É um filme obrigatório, um dos melhores de 2012 e com certeza o melhor roteiro do ano (já devo ter falado isso antes, mas agora é real).


terça-feira, 19 de março de 2013

Expurgo: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

Expurgo: Indicação



Caramba! Que história mais linda... Fazia um tempão que não assistia a um filme com um roteiro tão interessante. Dirigido pelo finlandês Antti Jokinen, ele é basicamente composto de memórias. Mistura flashbacks das lembranças de guerra da protagonista Aliide, interpretada por Laura Birn - atriz incrível, diga-se de passagem- e a memória mais recente de Zara, interpretada por Amanda Pilke, que foi escravizada sexualmente por uma rede de tráfico humano. Aproveitando a tendência criada por [NOT]Glória Perez[/NOT] com essa novela das nove, o diretor traz uma abordagem bastante pesada e dura sobre ambos os contextos e mostra o sofrimento e o abuso da mulher em tempos de guerra e em tempos de ‘paz’.
Fiquei com MUITO receio de assistir por conta do diretor, que anteriormente dirigiu o ‘A Inquilina’, suspense mediano e dispensável, protagonizado pela Hilary Swank. O idioma é muito estranho aos meus ouvidos e tenho impressão de que o arquivo que assisti veio dublado em alguma língua nórdica diferente da original e pensar isso tira meu sono. Dentro do filme você tem meio que três vertentes de fotografia e estética bastante diversas. Nos tempos de guerra, apesar da iluminação muito forte, as cores são bastante escuras e o contraste é muito forte. Quando mostra o cotidiano de Zara, aparece o uso de filtros e luzes com cores muito características (vermelho, rosa, verde, azul) e a iluminação também é muito forte, me lembrou um pouco a estética do Gaspar Noé.  Já no presente, que as personagens contam suas memórias, há pouca iluminação, você tem uma ideia de aconchego, casa da vó, sabe? Tudo funciona muito bem.
Aconselho muitíssimo a você assistir esse filme. É longo, mas como mostra muitos fatos, uma linha do tempo longa, com edição bastante dinâmica, o tempo passa correndo. Procure uma legenda e um arquivo confiáveis, afinal, não somos fluentes em finlandês.
P.S.: Agora que dei um Google, parece que essa já é uma história famosa, com montagem teatral e tudo... Muito digno.


domingo, 17 de março de 2013

English Vinglish: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

English Vinglish: Indicação



Meu primeiro filme de Bollywood. Depois do Piscine Patel e do Jamal, achei que eu devia isso aos indianos e no ritmo em que ando consumindo cinema, tenho que recorrer a essas produções mais alternativas. Bem, esse filme é da diretora Gauri Shinde, indiana, que não havia feito nada de relevante anteriormente. Ele mostra a história de Shashi, interpretada por Sridevi, uma dona de casa indiana conservadora, que ainda segue alguns costumes tradicionais e só se comunica em híndi, o que dificulta sua convivência social, pois a esmagadora maioria da população indiana fala inglês usualmente. A partir dessa premissa, acompanhamos a viagem de Shashi, sem sua família, a Nova Iorque para ajudar nos preparativos do casamento de sua sobrinha.
Sridevi é uma atriz simpaticíssima além de ser linda. Ela já fez uns duzentos filmes que ninguém nunca verá. Aliás, essa é a realidade dos indianos, eles filmam em ritmo de linha de produção, mas a repercussão internacional é baixa. A principal discussão do filme me agradou muito. Deve ser um tanto complicado ser excluído no seu país por não ser fluente em uma língua estrangeira. Isso me lembrou um pouco aquelas guerras em que invadiam uma região e proibiam os nativos de falarem seu idioma – ia chutar que os persas, sei lá, mas não lembro quem fazia isso, então vou me manter calado. Enfim, a questão é que o filme levanta essa bandeira por diversas vezes, alfinetando levemente os americanos. Porém, o filme é bastante cosmopolita, pois metade dele se passa nos EUA... Deve ter rolado um incentivo dos caras.
A técnica é algo bem bizarro. Parece uma sucessão de movimentos de câmera sem sentido algum, meio que um teste durante o filme todo. É zoom sem motivo, slow motion sem motivo, câmera na mão sem motivo... Tem também MUITA cafonice no roteiro e na montagem. Uns clipes totalmente vergonha alheia, mas acho que no conjunto da obra, a diretora mais acerta do que erra e fez um trabalho bem simpático. É tão diferente o ritmo e o formato, até intervalo tem! Sem falar que a cultura interfere muito no roteiro, o que te dá uma visão nova sobre alguns temas. Confesso que meu feminismo ou antimachismo me faz detestar essas personagens donas de casa vivendo pela família, mas aqui é bem colocado. Vale a pena, é uma boa distração.
P.S.: Hollywood devia aprender com Bollywood e sempre terminar os filmes com uma dança.


sábado, 16 de março de 2013

A Família Flynn: Resposta

Henrique ainda não assistiu

A Família Flynn: Indicação



Esse é o mais novo filme do diretor Paul Weitz, que dirigiu o filme ‘Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família’ (?). Se animou? Não, né? Nem eu, antes de assistir, mas tomei coragem e aqui estamos. Numa mistura de narradores, o filme mostra a história de Jonathan, um velho que se diz escritor, interpretado por Robert De Niro, e seu filho Nick que também tenta se tornar escritor, interpretado por Paul Dano. O roteiro é isso aí, o Nick contando seu passado de daddy issues, misturado com umas loucuras que o Jonathan conta também e umas aparições em flashback da Julianne Moore, que faz a mãe de Nick e ex-mulher de Jonathan.
Curti muito a forma como a palavra liga a história e o drama desses personagens. Todos eles carregam uma memória afetiva relacionada ao ato de escrever que é muito bem traçada pelo roteiro.  Acho que encontraram um papel que o De Niro ainda consegue interpretar. Combinou muito com ele essa vibe de tio louco, bêbado, que dorme na rua com os cães. O Paul Dano eu nunca sei como julgar. Às vezes penso que o Ezra Miller o substitui na função que ele costumava cumprir no cenário atual do cinema, mas se eu for pensar assim, o Ezra substitui a função de todo mundo, desde Nicole Kidman até Steven Seagal. O diretor pegou pesadinho dessa vez. É um drama enxuto, bem feito... Pensei que ele só sabia fazer dramas involuntários, como a continuação da continuação da continuação de ‘Entrando numa fria’.
Se eu recomendo? Convenhamos... Não é um filme obrigatório, porém, apesar do Paul Dano andar fazendo muita porcaria e muito protagonista monotemático – naquele lixo do Ruby Sparks, por exemplo, ele também era escritor – a atuação do moço é sempre bastante interessante, bastante firme, intensa... Mas vai naquelas, se não ver, não fará falta.
P.S.: Acabei de descobrir com o cartaz que é um filme baseado em fatos reais. AH!... Essa informação muda tudo! Realmente, realmente...


sexta-feira, 15 de março de 2013

Ginger & Rosa: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

Ginger & Rosa: Indicação



O que é a ElleFanning? Alguém, por favor, me explica. Começou sendo apenas a irmã da Dakota e hoje a Dakota é irmã dela. Trabalhou com a família Coppola inteira e com diversos diretores promissores. Ela é aquele tipo de atriz específico que sentimos tanta saudade. Aquela atriz que quando coloca o rosto na tela, você não consegue olhar mais ninguém. Nesse filme, a diretora ainda fez o favor de pintar os cabelos da moça de laranja... Nem preciso dizer que está deslumbrante. Enquanto eu penso no que escrever sobre o filme, deixo o link de um vídeo lindo que ela fez pra Rodarte há alguns anos. Se puder, deixa o vídeo minimizado do lado dessa postagem e assista enquanto lê, só pra ilustrar direitinho.
A diretora Sally Potter nos conta uma história sensível num contexto bastante tenso e estressante. Duas amigas, Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert), vivem a rebeldia e as descobertas sexuais, políticas e sociais da adolescência em meio a uma Inglaterra durante Guerra Fria. Vemos a relação de Ginger com o fim iminente do mundo por uma catástrofe nuclear e Rosa apenas vivendo sua vida, de maneira intensa e inconsequente.
Muda a vida de alguém? Não. Chega nem perto. Porém traz uma discussão interessante sobre nossos julgamentos cotidianos e o peso dos atos individuais. A fotografia é primorosa. É linda, linda e linda, mas vazia. Senti falta de significado em toda aquela técnica perfeita e isso me incomoda bastante. Adoro um filme bonito e assistir a Elle Fanning ruiva, com luz forte, contrastes de verde e uma interpretação que me remeteu em diversos momentos à Anna Karina de 'Bande à Part', vale a pena apesar de tudo.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Mama: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

Mama: Indicação



Esse aqui vai para a sessão comercial que eu havia prometido. Todos nós já conhecemos o universo de Mama pelo curta genial Mamá, também do Andrés Muschietti, feito em 2008, mas no filme rolou uma expansão da premissa e temos uma obra totalmente diferente. Após serem raptadas por seu pai, que logo morre, duas garotas são criadas numa cabana por um espírito guardião e encontradas anos depois por seu tio Luc que fica com a guarda delas. Bem, obviamente essas meninas não são mais as mesmas fofuras de antes. Agora elas são selvagens, possuem expressões corporais animalescas e quase não falam. Cabe a Luc e sua namorada, Annabel, trazer essas duas versões femininas de Mogli de volta à sociedade.
O Luc é interpretado pela Lannister fofinho e incestuoso, Nikolaj Coster-Waldau. O personagem dele é bem masculino: fica ausente durante metade da trama. Sua namorada, Annabel, é interpretada pela Jessica Chastain, que tentaram descaracterizar jogando um perucão preto, o que obviamente não funcionou. Uma dica pra Jessica é mudar a interpretação, querida! Boa atriz faz isso pra diferenciar uma personagem da outra, não adianta jogar uma make pesada e fazer um penteado Nina e esperar que a gente acredite que você é uma namorada descolada que toca guitarra numa banda. Porém, apesar de tudo, acho que ela está começando a sair daquela Chastain virginal que a gente está acostumado, um dia ela aprende. As melhores interpretações ficam por conta das projeto de Tarzan, Megan Charpentier e Isabelle Nélise. O trabalho corporal dessas meninas é fora de sério. Durante metade do filme, todo o fator suspense e terror ficam nas costas delas, que conseguem carregar de maneira primorosa.
A primeira hora do filme é ótima. O Andrés Muschietti devia apostar nesse terror de suposições que ele faz. Ele é ótimo quando apenas sugere algo macabro, como na cena em que as meninas brincam com um lençol no quarto e você sabe que Mama está com elas, mas não vemos em nenhum momento. Os efeitos visuais são bem ruins... A Mama parece um dementador mal feito, sem falar que, por ser o primeiro trabalho do moço, tudo está misturado, ele meio que testa diversas abordagens e isso prejudica um pouco a conclusão do roteiro. Mesmo que eu não indique, sei que você vai assistir e realmente vale a pena. Estou apostando que se o Andrés limpar a direção dele e deixar só esse tom elegante que ele coloca na primeira parte do filme, teremos um ótimo diretor de suspense no futuro.


Uma Garrafa no Mar de Gaza: Resposta

Henrique ainda não assistiu.


Uma Garrafa no Mar de Gaza: Indicação


Sabe aqueles filmes que te obrigam a estudar um pouco? Então, esse filme do Thierry Binisti é assim. É um filme médio, bem produzido, bem dirigido, com muito carisma entre os atores e um roteiro bem gostoso, mas seu maior valor está na capacidade de despertar interesse em torno do seu tema. Ele aborda a relação virtual entre Tal – Agathe Bonitzer - uma francesa judia que vive em Jerusalém e Naim – Mahmud Shalaby - um garoto palestino que vive em Gaza. Ela pede a seu irmão soldado que arremesse uma garrafa, contendo uma carta, ao mar e Naim a encontra. A partir de então os dois passam a se comunicar por e-mail.
É como um ‘Mens@gempara você’ com um contexto interessante e com uma atriz que acertou no corte de cabelo - fiquei constrangido de ter que escrever esse título com uma '@' no lugar do 'A', mas parece que é a forma oficial. Acho muito pura a amizade entre os dois. Esse encontro provocador entre os personagens acontece bem naquela fase da vida em que se contesta tudo e os debates e choques de culturais ajudam de alguma forma as personagens a seguir em frente, a encontrar uma forma de viver bem naquele cenário de guerra, medo e incoerências.
O mais interessante é o contraste que o filme mostra entre Palestina e Jerusalém. Por vezes e vezes você assiste essa comparação entre o modo de vida de um lado e de outro do muro. A tranquilidade, as oportunidades, a riqueza do lado judeu e do outro a revolta, a vida no limite, a alegria em momentos raros. Sou um ignorante no assunto e por isso só posso expressar minha opinião com base no que assisti. A cena que mais ilustra esse abismo entre os dois mundos é quando acompanhamos o trajeto entre portões, cadeados, cancelas, catracas, guaritas, com o intuito de chegar ao aeroporto. Como se só um lado tivesse o direito de se comunicar com o mundo. Recomendo esse mergulho em contexto tempestuoso, faz bem.


sexta-feira, 8 de março de 2013

A Bela que Dorme: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

A Bela que Dorme: Indicação


O volume de produções italianas em 2012 foi bem fraco. Se eu assisti seis ou sete foi muito. Mas, olha... Acertaram em todos, hein! Só coisa boa. A Bela que Dorme, novo filme do diretor Marco Bellocchio – que numa tradução direta séria algo parecido com ‘Marco, olho bonito’ - faz parte dessa safra maravilhosa. O filme mostra o contexto italiano durante a repercussão do caso real da garota Eluana, que ficou em coma por 17 anos. Ele propõe uma discussão sobre a eutanásia através de algumas histórias relacionadas ao assunto: Mãe com filha em coma, mulher que pede ao marido pra desligar a máquina, moça que quer se suicidar e médico não deixa, filho com ciúmes da irmã em coma porque a mãe ficou focada nela e não consegue mais fazer outra coisa da vida além de olhar pro respirador artificial da menina... E assim por diante.
 Esse filme também se enquadra naquela remessa de 2012 que testa os limites do amor, significado do amor e o que cada um faz por quem ama. Não tenho vergonha de assumir que o argumento me lembrou levemente de uma novela das seis que tratava do assunto, principalmente porque há muito em comum entre a personagem de Isabelle Huppert e a personagem que Ana Beatriz Nogueira - ganhadora de um Urso de Prata, pra quem não sabe ou não respeita o cinema nacional –  interpretava no folhetim. Nem preciso dizer quem teve a melhor performance... Isabelle Huppert nasceu pra esse tipo de drama. Interpreta essa mãe louca, católica, que faria qualquer coisa pela filha e que não liga pra mais nada além disso.  
Tem aquela mistura deliciosa de discussão religiosa e política num contexto totalmente propício a isso, que é a Itália. Merece ser visto rapidamente tanto pela discussão interessantíssima quanto pela Huppert que aparece pouco, mas já é o bastante pra ofuscar o restante do elenco.


quinta-feira, 7 de março de 2013

O Segredo da Cabana: Resposta


O Henrique é um entusiasta mesmo... Deviam te pagar pra escrever esses textos eufóricos sobre certos filmes, amigo. Mas confesso que só assisti por causa dessa algazarra toda. Todo mundo sabe que terror/suspense e animação não são meus gêneros favoritos e passam bem longe da minha zona de torrents normalmente. Abri uma exceção aqui e fiquei bastante feliz. Estava totalmente submerso em um mar de lágrimas advindas de dramas coreanos, franceses, italianos e romenos, foi bom quebrar isso um pouquinho. Por isso, instituo a partir de hoje, a tradição de postar pelo menos um filme ‘comercial’ por semana. Devemos isso ao nosso amado Michael Bay.
Esse filme do Drew Godard seja o melhor exemplo de metalinguagem do gênero. Tudo é muito irônico, todos os elementos clichês do terror americano estão ali por um motivo que encaixa no roteiro. Eles abrem mão totalmente do fator suspense e medo pelo humor negro. Eu não me assustei nem fiquei apreensivo em momento algum, mas me diverti muito torcendo contra os mocinhos, já que acho totalmente justificável matar um grupo de universitários americanos – B R I N C A D E I R A.
Fazia um tempão que não víamos um trash assim, bem feito. Talvez tivesse algo parecido em ‘Arraste-me Para o Inferno’, que também trazia essa proposta entre cômico, comercial e transgressor. O final é um belo ‘foda-se’, né? Aliás, muitos filmes estão usando esse tipo de desfecho que eu amo muito. Acho que já deu desse negócio de finalzinho mastigado, as novelas existem pra preencher essa lacuna. Com certeza vou indicar pra muita gente, principalmente praqueles que dizem que eu só assisto filme que lança direto em DVD.
P.S.: Cara, o Chris Hemsworth é bem mais novo do que costumamos pensar, né? Reparei com esse personagem garotão que ele fez.


O Segredo da Cabana: Indicação


Tô achando nosso blog um pouco intelectual demais e resolvi recomendar um filminho mais comercial hoje, pra ficar de dica pro fim de semana. Comercial, mas muito original.
Eu sou um fã confesso de filmes de terror. Acho que foi o primeiro gênero pelo o qual eu me apaixonei de verdade e tive vontade de ver tudo que tinha na locadora. Tudo isso começou com o excelente Pânico, clássico dos anos 90, que não só subverteu os clichês do gênero como é uma deliciosa homenagem ao gênero. E O Segredo da Cabana segue mais ou menos essa proposta.
Eu tava com muitos preconceitos com ele, porque esse cartaz me lembrou muito o Cubo, e eu nunca curti muito essa coisa de usar fórmula de reality show em filme de terror, mas ele fez tanto barulho pela blogosfera que eu acabei cedendo. E quando eu terminei de ver me arrependi por ter resistido tanto tempo!
É o tipo de filme que é melhor ver sem saber muito do que se trata, recomendo que você nem veja o trailer, só basta saber que é muito gostoso de se ver, com humor na medida, brincando com clichês e sem se levar nada a sério. Rola até uma piada com filmes de terror japoneses... E o elenco se diverte! Do veterano Richard Jenkins (que sempre tá fazendo o pai de alguém) ao eterno Thor, Chris Hemsworth, tá todo mundo muito solto, dando o tom que o filme precisa. Qualquer pessoa que viu alguns filmes da Tela Quente durante a infância já vai conseguir pegar as referências que trasbordam o tempo todo. Enfim, o filme é diversão garantida, inteligente e debochado. E o final é tão genial que eu tive que aplaudir de pé! rs
Disse no filmow e repito aqui: um novo clássico cult e melhor filme de terror da década! Obrigatório pra todos, de fanboys a cinéfilos que perderam as esperanças no gênero. 

O Gosto do Dinheiro: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

O Gosto do Dinheiro: Indicação



Os sul coreanos são os argentinos da Ásia. Mesmo quando fazem um filme ruim ele é bom. Temos aqui um caso desses. Sang-Soo Im traz um filme médio que se for visto não é perda de tempo, porém não precisa estar no topo da lista de torrents.  Acompanhamos pelos olhos do empregado Joo, o cotidiano de uma família sul coreana muito rica e poderosa . Aos poucos ele vai se envolvendo nos esquemas da família e pelo título do filme já podemos prever parte do que acontece. Parece que esse diretor tem algum complexo com empregados, já que seu último filme tratava do mesmo tema e se chamava A Empregada.
No início me parecia uma versão asiática de Teorema, do Pasolini, já que sexo e desejo é um tema muito recorrente nesse roteiro que também envolve uma família. Não tem muito a ver, percebi isso depois de um tempo. A reflexão aqui é bem menos complexa e fica focada no que a família apresenta mesmo. Queria destacar os belíssimos atore Kang Woo-Kim, que deve ser o asiático mais bonito e charmoso que eu já vi, e Hyo-Jin Kim que é deslumbrante e tem um rosto esculpido. A melhor atuação é da chefe de família pouco escrupulosa Baek, interpretada por Yeo-Jung Yoon.
Tem uma coisa que ando percebendo nos filmes orientais e vou adotar pra vida: quando rola aquele momento climão em que alguém está brigando, ou chorando, ou fazendo algo que causa vergonha alheia, eles viram o olhar para um ponto neutro e simplesmente fingem que não estão ali. Acho útil, acho elegante, acho funcional.
P.S.: Esse foi o cartaz mais difícil de escolher até agora. Todos são perfeitos, dá uma olhadinha no Google.


Vocês Ainda Não Viram Nada: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

Vocês Ainda Não Viram Nada: Indicação



Ai, muita emoção escrever sobre um filme do Alain Resnais, mas infelizmente essa honra não vai amolecer meu duro coraçãozinho. Isso não é um filme, é uma experiência. Diversos atores são chamados para a leitura do testamento de um diretor de teatro que havia morrido. Vão até sua mansão e lá descobrem que, como último pedido, ele queria que os atores julgassem uma nova montagem de Eurídice, peça que eles mesmos, no passado, já haviam participado. Acontece que esse grupo de atores é do mais alto escalão francês, coisa que só o Resnais poderia juntar: Lambert Wilson,  Mathieu Amalric, Pierre Arditi, Sabine Azéma e mais um monte de gente que teremos que jogar no Google.
Ok, aí os atores sentam em poltronas confortáveis e começam a assistir uma projeção da nova montagem. No meio disso tudo, cada um começa a lembrar de um pedacinho do texto e pouco a pouco começam a recitar algumas falas de seus antigos personagens, contracenando com a projeção, culminando numa montagem mental da peça com os antigos atores. O texto teatral se mistura com o roteiro do filme, que se mistura com a lembrança, que se mistura com a meta linguagem... Ora, já falamos de algo parecido em César Deve Morrer.
Pois é, a experiência é boa, a proposta é incrível, grandes atores, grande diretor, mas já vimos isso esse ano numa embalagem bem mais carismática. Curti bastante a relação que o filme tem com o cenário. Tudo parece cenografia de teatro, apenas objetos reais soltos num fundo de chroma key que vai tomando forma de acordo com o que a memória pede. Não sei se em algum lugar rolou essa comparação que eu acabei de fazer, mas mesmo o filme sendo longo e bem arrastado, peço que você assista! Preciso desse feedback.

Henrique ainda não assistiu.

terça-feira, 5 de março de 2013

César Deve Morrer: Resposta



Com quinze minutos de filme eu já estava favoritando mentalmente. Logo no início ele joga a melhor sequência de cenas do ano – na minha humilde opinião – que é o teste dos detentos, em que cada um deve montar uma cena em que apresenta seu nome e de onde veio duas vezes, a primeira como se estivesse se despedindo de alguém numa estação e a segunda como se estivesse nervoso. Tivemos muitas cenas de entrevista em 2012 e esse filme foi o abre-alas de todas elas.
O que eu achei mais inovador no filme é esse roteiro que é uma mistura da peça com o cotidiano dos detentos. É difícil de estabelecer os limites entre o que é documentário e o que é o texto teatral e o que é o roteiro do filme e o que é apenas conversa de bastidores... Outro fator importante é a incorporação da linguagem teatral à linguagem do cinema. Os cenários são abstrações do próprio local onde os detentos vivem. Grades, pátios, corredores, tudo vira elemento cênico.
O mundo devia desenvolver atividades culturais em presídios. A qualidade dos atores é absurda e realmente faz você duvidar do amadorismo dos presos. Está no meu Top Cinco de 2012 com toda a certeza – lembrando que meu Top Cinco tem mais de cinco filmes.

César Deve Morrer: Indicação

Outro filme que fez muito barulho pelo mundo o ano passado e acabou ganhando o Urso de Ouro em Berlim. Eu já tava amando ele só pelo argumento: um diretor de teatro vai ai um presídio em Roma pra encenar a peça "Júlio César" do Shakespeare usando os presidiários como atores. Cara, essa ideia é tão criativa, mas ao mesmo tempo faz tanto sentido que me surpreende que ninguém tenha pensado nisso antes!
O filme se passa quase todo em preto e branco, o que agrega uma dramaticidade a narrativa e combina muito com o ambiente, assim como o texto do próprio Shakespeare. É impressionante o diálogo que se cria entre a peça e o cotidiano dos presidiários, a interpretação que eles tiram e a identificação que eles encontram nos dramas dos personagens. O trabalho da direção é quase documental. Passei o filme todo com a dúvida de se eles eram mesmo prisioneiros ou não, tive que dar um google depois, rs.
O elenco, todo masculino e em sua maioria de atores acima dos 30, é excelente e consegue passar pro público muito bem a "evolução" dos personagens, as pequenas mudanças que aquele evento causa nas vidas e mentes deles. Destaque para Salvatore Striano e Cosimo Rega, que roubam a cena o tempo todo.
Enfim, um filme muito bem executado que sabe bem o que quer dizer e o diz com muita eloquência na sua curta duração.


38 Testemunhas: Resposta

Henrique ainda não assistiu.

38 Testemunhas: Indicação


Acho que devíamos instituir ‘Sandy’ como um gênero cinematográfico, caberia certinho aqui. Esse é aquele tipo de filme que não é ruim, mas também não é bom. Que propõe uma discussão interessante, mas com um roteiro simples, uma técnica simples, atores simples, desfecho simples, edição simples... Ele mostra as investigações de um assassinato que ocorre em uma cidade portuária da França. 38 testemunhas, além de ser o título desse filme do Lucas Belvaux, é o número de pessoas que estavam no prédio de frente pro crime quando ele ocorreu.
Diferente do que você possa pensar, o foco do filme não é buscar o assassino e sim mostrar como as pessoas lidam com esse fantasma cotidiano, lembrando a todo o momento que moram na cena de um crime. Essa é a proposta do filme, discutir sobre a impotência e a covardia diante da violência e não estou só falando do assassinato, tem uns lances com jornalista, testemunhas depois do depoimento... Me lembrou bastante a menina catarinense do Diário de Classe.
É um filme médio, propõe uma discussão interessante, mas não vai mudar sua vida. Assista lá pra julho que só lançam animações da Pixar e não tem nada melhor pra ver.

Henrique ainda não assistiu.