Ai, muita
emoção escrever sobre um filme do Alain Resnais, mas infelizmente essa honra
não vai amolecer meu duro coraçãozinho. Isso não é um filme, é uma experiência.
Diversos atores são chamados para a leitura do testamento de um diretor de
teatro que havia morrido. Vão até sua mansão e lá descobrem que, como último
pedido, ele queria que os atores julgassem uma nova montagem de Eurídice, peça
que eles mesmos, no passado, já haviam participado. Acontece que esse grupo de
atores é do mais alto escalão francês, coisa que só o Resnais poderia juntar:
Lambert Wilson, Mathieu Amalric, Pierre Arditi, Sabine Azéma
e mais um monte de gente que teremos que jogar no Google.
Ok, aí os atores
sentam em poltronas confortáveis e começam a assistir uma projeção da nova
montagem. No meio disso tudo, cada um começa a lembrar de um pedacinho do texto
e pouco a pouco começam a recitar algumas falas de seus antigos personagens,
contracenando com a projeção, culminando numa montagem mental da peça com os
antigos atores. O texto teatral se mistura com o roteiro do filme, que se
mistura com a lembrança, que se mistura com a meta linguagem... Ora, já falamos
de algo parecido em César Deve Morrer.
Pois é, a experiência
é boa, a proposta é incrível, grandes atores, grande diretor, mas já vimos isso
esse ano numa embalagem bem mais carismática. Curti bastante a relação que o
filme tem com o cenário. Tudo parece cenografia de teatro, apenas objetos reais
soltos num fundo de chroma key que vai tomando forma de acordo com o que a
memória pede. Não sei se em algum lugar rolou essa comparação que eu acabei de
fazer, mas mesmo o filme sendo longo e bem arrastado, peço que você assista!
Preciso desse feedback.
Henrique ainda
não assistiu.

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