sexta-feira, 22 de março de 2013

Dentro da Casa: Indicação



Cedi às milhares de indicações que apontavam o François Ozon como um excelente diretor e decidi assistir seu último filme, ‘Dentro da Casa’. Já mandei buscar uma camiseta com a foto do cara e tatuei umas frases do roteiro na nuca, minha carteirinha do fã clube chega ainda essa semana. Sabe quando você se pergunta: Por que eu demorei tanto tempo pra dar uma chance? Então, é exatamente o que pensei e de agora em diante todas as minhas forças estão concentradas em fechar a filmografia dele.
A premissa do filme é muito básica e inicialmente achei clichê. O professor de francês Germain, interpretado por Fabrice Luchini, já cansado do desinteresse de seus alunos medíocres, vê em Claude, interpretado brilhantemente pelo 'novato' Ernst Umhauer, uma chance de realizar seus sonhos frustrados de se tornar um escritor. Já vimos isso antes? Sim, milhões de vezes, porém, o roteiro nos guarda algo muito maior. Germain descobre essa inclinação do aluno durante a correção de um de seus textos, em que Claude conta detalhes íntimos do cotidiano de um de seus colegas de classe. O professor fica curiosíssimo, pois o aluno nunca termina a história e passa a incentivá-lo a contar, através dos textos, suas aventuras vouyeristas dentro da casa dos Rafas. Ele faz isso a todo custo e Claude é um gênio do suspense e da sedução. O personagem tem o melhor de cada manipulador que já vimos no cinema, principalmente a flexibilidade e a sensualidade do visitante de Teorema, referência citada no próprio filme. Devemos guardar MUITO bem a imagem, o rosto e o nome de Ernst Umhauer. Esse é o primeiro filme relevante do rapaz que já traz uma característica absorvente, charmosa e sedutora que não vemos há tempos. Quem também está nesse filme, interpretando Jeanne, esposa de Germain, é a Kristin Scott Thomas que está tão fofa no papel que me fez passar a gostar dela.
Mas o melhor disso tudo é o roteiro que te engana, que te confunde, te faz perder a noção do que é real, do que o Claude inventa, confunde o cotidiano da escola com a trama criada, te deixa curioso, te faz se identificar com o professor que faria de tudo pra chegar ao fundo dessa história. Ultimamente estamos bem amparados no quesito roteiro e esse, em especial, é aquele tipo de filme que quando você toma ciência da existência, é automaticamente obrigado a pausar todos os torrents da lista para dar prioridade.
P.S.: Ozon vai entrar na lista de fim de ano dos diretores que a gente pensa que é feio mas na verdade é bonito. Paul Thomas Anderson já está lá sentadinho.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cuidado com o que você comenta porque eu vou responder :D