Cedi às
milhares de indicações que apontavam o François Ozon como um excelente diretor
e decidi assistir seu último filme, ‘Dentro da Casa’. Já mandei buscar uma
camiseta com a foto do cara e tatuei umas frases do roteiro na nuca, minha
carteirinha do fã clube chega ainda essa semana. Sabe quando você se pergunta:
Por que eu demorei tanto tempo pra dar uma chance? Então, é exatamente o que pensei
e de agora em diante todas as minhas forças estão concentradas em fechar a
filmografia dele.
A premissa do
filme é muito básica e inicialmente achei clichê. O professor de francês Germain,
interpretado por Fabrice Luchini, já cansado do desinteresse de seus alunos
medíocres, vê em Claude, interpretado brilhantemente pelo 'novato' Ernst Umhauer,
uma chance de realizar seus sonhos frustrados de se tornar um escritor. Já
vimos isso antes? Sim, milhões de vezes, porém, o roteiro nos guarda algo muito
maior. Germain descobre essa inclinação do aluno durante a correção de um de
seus textos, em que Claude conta detalhes íntimos do cotidiano de um de seus
colegas de classe. O professor fica curiosíssimo, pois o aluno nunca termina a
história e passa a incentivá-lo a contar, através dos textos, suas aventuras vouyeristas
dentro da casa dos Rafas. Ele faz isso a todo custo e Claude é um gênio do
suspense e da sedução. O personagem tem o melhor de cada manipulador que já
vimos no cinema, principalmente a flexibilidade e a sensualidade do visitante
de Teorema, referência citada no próprio filme. Devemos guardar MUITO bem a
imagem, o rosto e o nome de Ernst Umhauer. Esse é o primeiro filme relevante do rapaz que
já traz uma característica absorvente, charmosa e sedutora que não vemos há
tempos. Quem
também está nesse filme, interpretando Jeanne, esposa de Germain, é a Kristin Scott Thomas que está tão fofa no papel que me fez passar a gostar dela.
Mas o melhor
disso tudo é o roteiro que te engana, que te confunde, te faz perder a noção do
que é real, do que o Claude inventa, confunde o cotidiano da escola com a trama
criada, te deixa curioso, te faz se identificar com o professor que faria de
tudo pra chegar ao fundo dessa história. Ultimamente estamos bem amparados no quesito
roteiro e esse, em especial, é aquele tipo de filme que quando você toma
ciência da existência, é automaticamente obrigado a pausar todos os torrents da
lista para dar prioridade.
P.S.: Ozon vai entrar na lista de fim de ano dos diretores que a gente pensa que é feio mas na verdade é bonito. Paul Thomas Anderson já está lá sentadinho.
- Página no IMDb.
- Henrique ainda não assistiu.

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