Sabe aqueles
filmes que te obrigam a estudar um pouco? Então, esse filme do Thierry Binisti é
assim. É um filme médio, bem produzido, bem dirigido, com muito carisma entre
os atores e um roteiro bem gostoso, mas seu maior valor está na capacidade de
despertar interesse em torno do seu tema. Ele aborda a relação virtual entre Tal
– Agathe Bonitzer - uma francesa judia que vive em Jerusalém e Naim – Mahmud Shalaby
- um garoto palestino que vive em Gaza. Ela pede a seu irmão soldado que
arremesse uma garrafa, contendo uma carta, ao mar e Naim a encontra. A partir de
então os dois passam a se comunicar por e-mail.
É como um ‘Mens@gempara você’ com um contexto interessante e com uma atriz que acertou no corte de
cabelo - fiquei constrangido de ter que escrever esse título com uma '@' no lugar do 'A', mas parece que é a forma oficial. Acho muito pura a amizade entre os dois. Esse encontro provocador entre
os personagens acontece bem naquela fase da vida em que se contesta tudo e os
debates e choques de culturais ajudam de alguma forma as personagens a seguir
em frente, a encontrar uma forma de viver bem naquele cenário de guerra, medo e
incoerências.
O mais
interessante é o contraste que o filme mostra entre Palestina e Jerusalém. Por
vezes e vezes você assiste essa comparação entre o modo de vida de um lado e de
outro do muro. A tranquilidade, as oportunidades, a riqueza do lado judeu e do
outro a revolta, a vida no limite, a alegria em momentos raros. Sou um ignorante
no assunto e por isso só posso expressar minha opinião com base no que assisti.
A cena que mais ilustra esse abismo entre os dois mundos é quando acompanhamos
o trajeto entre portões, cadeados, cancelas, catracas, guaritas, com o intuito
de chegar ao aeroporto. Como se só um lado tivesse o direito de se comunicar
com o mundo. Recomendo esse mergulho em contexto tempestuoso, faz bem.
- Página no IMDb
- Henrique ainda não assistiu.

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