Qualquer vida
merece virar filme. Seja pelo roteiro, ou pela fotografia, ou pelo protagonista
carismático ou até pelos coadjuvantes, mas algumas, mais do que outras, têm
mais vocação. Não sabia que o filme tinha sido inspirado na vida do Ira Sachs e
é uma informação bastante relevante, já que torna ainda mais elegante a atuação
imparcial dele.
Não vejo o
filme com tanta paixão quanto você. Concordo que ele tenha mais pontos
positivos do que negativos, mas não me causou tanto impacto. O principal ponto
positivo dele é essa abordagem do relacionamento entre um casal gay sem fazer
um filme gay propriamente dito. É um filme que fala de um drama vivido por um
casal. Ponto.
Acho a
fotografia desse filme belíssima, das americanas, é uma das melhores do ano e
só não é a melhor porque o Wes Anderson não brinca em serviço e esse ano
decidiu fazer uma obra prima – Moonrise Kingdom. Outro detalhe importante são
as atuações sutis, nada de exageros ou estereotipagens. O Thure Lindhart é
aquele tipo de ator que você acha que não conhece, aí procura no Google e
descobre que assistiu metade da filmografia. O formato do filme também é muito
interessante. Gosto dessa linha do tempo organizada mostrando o número de anos
dedicados a esse amor. Nos dá uma dimensão do quanto se perdeu nisso tudo.
Tivemos alguns
filmes esse ano abordando a impotência diante do outro, até onde o amor vai e o
que ele pode fazer, onde se deve parar... Esse eu assisti no cinema e foi uma
experiência ótima, principalmente porque vi muitos casais, tanto homossexuais
quanto heterossexuais, que esperavam uma história fofa e saíram arrebatados do
cinema, mas não pelo fator exótico do casal gay e sim pelos dramas mostrados na
tela.

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