sexta-feira, 29 de março de 2013

Preenchendo o Vazio: Indicação



Estou encantado com esse filme da diretora estreante Rama Burshtein. Adoro esses roteiros que jogam uma luz sobre culturas e religiões que a gente não conhece muito bem. Aqui nós vemos um pouco dos rituais judaicos e da linha de pensamento da religião, que interfere diretamente e constantemente na vida dos personagens. Ele mostra os conflitos de Shira, interpretada por Hadas Yaron, que ao perder a irmã, tem que decidir entre casar com seu cunhado Yohai, interpretado por Yiftach Klein, ou vê-lo partir para a Bélgica com seu sobrinho recém-nascido. Com essa premissa de novela das oito, o filme vai desenvolvendo um roteiro bastante complicado, cheio de interferência sociais, familiares e religiosas, que dificultam a decisão da moça.
O mais incrível são os costumes que vemos durante o filme. Tem alguns detalhes sobre os rituais de circuncisão, sepultamento e obviamente o casamento. O rabino, em alguns momentos, é mostrado como uma espécie de Poderoso Chefão judeu, dando conselhos, ajuda financeira e orientando os fiéis até mesmo nas decisões mais banais. O valor da mulher é medido pela sua capacidade de casar e manter uma família harmoniosamente, elemento que aparece em diversas religiões patriarcais e que não cabe a mim julgar nesses humildes três parágrafos.
Apesar de ter algumas cenas bastante óbvias e previsíveis e uma barriga de grávida mais falsa que a de Taubaté, o filme traz um frescor e uma intimidade com a cultura judaica que não havia assistido em nenhum outra. Normalmente o roteiro trata o tema de forma didática ou com muitas informações tradicionais que dificultam a compreensão de leigos.  Não é o caso, pode assistir sem medo.


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