Estou
encantado com esse filme da diretora estreante Rama Burshtein. Adoro esses
roteiros que jogam uma luz sobre culturas e religiões que a gente não conhece
muito bem. Aqui nós vemos um pouco dos rituais judaicos e da linha de
pensamento da religião, que interfere diretamente e constantemente na vida dos
personagens. Ele mostra os conflitos de Shira, interpretada por Hadas Yaron,
que ao perder a irmã, tem que decidir entre casar com seu cunhado Yohai,
interpretado por Yiftach Klein, ou vê-lo partir para a Bélgica com seu sobrinho
recém-nascido. Com essa premissa de novela das oito, o filme vai desenvolvendo
um roteiro bastante complicado, cheio de interferência sociais, familiares e
religiosas, que dificultam a decisão da moça.
O mais
incrível são os costumes que vemos durante o filme. Tem alguns detalhes sobre
os rituais de circuncisão, sepultamento e obviamente o casamento. O rabino, em
alguns momentos, é mostrado como uma espécie de Poderoso Chefão judeu, dando
conselhos, ajuda financeira e orientando os fiéis até mesmo nas decisões mais banais.
O valor da mulher é medido pela sua capacidade de casar e manter uma família
harmoniosamente, elemento que aparece em diversas religiões patriarcais e que
não cabe a mim julgar nesses humildes três parágrafos.
Apesar de ter
algumas cenas bastante óbvias e previsíveis e uma barriga de grávida mais falsa
que a de Taubaté, o filme traz um frescor e uma intimidade com a cultura
judaica que não havia assistido em nenhum outra. Normalmente o roteiro trata o
tema de forma didática ou com muitas informações tradicionais que dificultam a
compreensão de leigos. Não é o caso,
pode assistir sem medo.
- Página no IMDb
- Henrique ainda não assistiu.

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