Esse aqui vai
pra quem dizia (Rafaela) que eu não assisto filmes nacionais. Grande presente
da minha semana essa obra do Eduardo Nunes, que surgiu num momento em que eu já
estava desacreditado e criticando de forma descabida nossos queridos diretores.
Como poucos de nós sabemos, existe vida fora da Globo Filmes e esse é um grande
exemplo do que rola no cenário atual brasileiro longe das amarras dessa
produtora #ACORDA #BRASIL. Recentemente o Kleber Mendonça Filho andou falando
várias sobre esse assunto e acho que ele está mais apto a tratar disso do que
eu, portanto, se estiverem interessados leiam a entrevista dele. Voltando à
indicação de hoje: Temos aqui um exemplo raro de cinema contemporâneo
brasileiro. Não dá muito pra fazer sinopse, ele acompanha basicamente o dia de
uma garota, Clarisse, que é interpretada por diversas atrizes no decorrer do
roteiro para ilustrar as descobertas de mundo e compreensão da vida adulta que
essa garota vivencia. É como uma versão dramática de ‘Onde Vivem os Monstros’,
só que sem monstros além do próprio homem.
O diretor, que
é um estreante, foi absolutamente delicado e poético ao tratar de assuntos
polêmicos e pesados. Ouvi muita comparação com um dos meus filmes nacionais
favoritos ‘Lavoura Arcaica’, do gênio desnaturado e diretor de um filme só Luiz Fernando de Carvalho, e no
começo fiquei bastante injuriado, mas depois de assistir e amar, posso dizer
que os dois filmes apesar de não serem irmãos, são primos próximos. Ele traz um
formato de tela diferente, mais horizontalizado do que o comum, o que filtra
bastante as imagens. Sinto que o diretor optou pela simplicidade tanto nessa
questão quanto no uso de preto e branco ao invés das cores e no roteiro de
poucos diálogos.
As atuações
são belíssimas. Temos diversos sotaques do Brasil, com atores de diversas
partes, elementos culturais de vários pontos do país e uma identidade formada
com essa colcha de retalhos. É incrível como a miscelânea de brasilidades
reforça imensamente a identificação do público com o filme. Eduardo Nunes traz
de volta algumas atrizes que marcaram o cinema nacional, como Dira Paes, SimoneSpoladore e Mariana Lima. Resumindo: É cinema arte tupiniquim, daqueles que não
víamos há um bom tempo. Que venha mais ‘O Som ao Redor’, que venha mais ‘Febredo Rato’ e que venha mais ‘Sudoeste’!
- Página no IMDb
- Henrique ainda não assistiu.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Cuidado com o que você comenta porque eu vou responder :D