quarta-feira, 27 de março de 2013

Sudoeste: Indicação



Esse aqui vai pra quem dizia (Rafaela) que eu não assisto filmes nacionais. Grande presente da minha semana essa obra do Eduardo Nunes, que surgiu num momento em que eu já estava desacreditado e criticando de forma descabida nossos queridos diretores. Como poucos de nós sabemos, existe vida fora da Globo Filmes e esse é um grande exemplo do que rola no cenário atual brasileiro longe das amarras dessa produtora #ACORDA #BRASIL. Recentemente o Kleber Mendonça Filho andou falando várias sobre esse assunto e acho que ele está mais apto a tratar disso do que eu, portanto, se estiverem interessados leiam a entrevista dele. Voltando à indicação de hoje: Temos aqui um exemplo raro de cinema contemporâneo brasileiro. Não dá muito pra fazer sinopse, ele acompanha basicamente o dia de uma garota, Clarisse, que é interpretada por diversas atrizes no decorrer do roteiro para ilustrar as descobertas de mundo e compreensão da vida adulta que essa garota vivencia. É como uma versão dramática de ‘Onde Vivem os Monstros’, só que sem monstros além do próprio homem.
O diretor, que é um estreante, foi absolutamente delicado e poético ao tratar de assuntos polêmicos e pesados. Ouvi muita comparação com um dos meus filmes nacionais favoritos ‘Lavoura Arcaica’, do gênio desnaturado e diretor de um filme só Luiz Fernando de Carvalho, e no começo fiquei bastante injuriado, mas depois de assistir e amar, posso dizer que os dois filmes apesar de não serem irmãos, são primos próximos. Ele traz um formato de tela diferente, mais horizontalizado do que o comum, o que filtra bastante as imagens. Sinto que o diretor optou pela simplicidade tanto nessa questão quanto no uso de preto e branco ao invés das cores e no roteiro de poucos diálogos.
As atuações são belíssimas. Temos diversos sotaques do Brasil, com atores de diversas partes, elementos culturais de vários pontos do país e uma identidade formada com essa colcha de retalhos. É incrível como a miscelânea de brasilidades reforça imensamente a identificação do público com o filme. Eduardo Nunes traz de volta algumas atrizes que marcaram o cinema nacional, como Dira Paes, SimoneSpoladore e Mariana Lima. Resumindo: É cinema arte tupiniquim, daqueles que não víamos há um bom tempo. Que venha mais ‘O Som ao Redor’, que venha mais ‘Febredo Rato’ e que venha mais ‘Sudoeste’!


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